Do estado de graça à desgraça

As duas estrelas sobrantes, Luís Neves, ex-director da PJ e actual ministro da Administração Interna e Fernando Alexandre, ministro da Educação, num ápice se envolveram em polémicas ainda não dilucidadas que lhes enegrecem o ímpeto governativo.

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  • 16:02 | Sábado, 18 de Julho de 2026
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Não há porta voz que lhes valha… Assim se poderiam resumir os inábeis últimos tempos de governação de alguns ministros deste XXV Governo Constitucional.

Não obstante a criação da tal espécie de secretaria de estado da comunicação chefiada por Leitão Amaro – um inábil comunicador e um incomparável “gaffeur” – o poder vigente não encontrou ainda uma afinação, uma capacidade de retransmitir para os eleitores as magnas linhas mestras da “sintona narrativa”. Ou, simplesmente, não existirá…

As asneiras são muitas, os lapsos e os equívocos são mais. A ministra da Administração Interna, assumindo que não dominava essa (e outras) competências decidiu ir embora.


Outro tanto não sucede com a campeã das polémicas, Ana Paula Martins, ministra da Saúde, pasta onde é mais o que mal corre do que o que bem sucede. Mas porém, porfia na senda imparável de colocar militantes laranja em todas as USL’s de norte a sul e na via para a entrega da Saúde aos privados. Por isso, tem valor…

Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, com o seu carreirista e bem-sucedido clã, alheada da realidade social e laboral nacional, é o “ai Jesus” dos patrões e é, fundamentalmente, para eles que intenta (sem sucesso) legislar. Ademais, no exemplo da anterior, também parece ser excelente a abrir caminho para os “boys” partidários que, afobada, substitui em todas as administrações da Segurança Social. Por isso, tem valor…

A partir destas “trocas e baldrocas”, nesta e na anterior pasta, abrem-se as inúmeras possibilidades de colocação das chefias intermédias e dos seus mendigantes acólitos, sem ponta de meritocracia e ao arrepio da impávida CRESAP, Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública.

As duas estrelas sobrantes, Luís Neves, ex-director da PJ e actual ministro da Administração Interna e Fernando Alexandre, ministro da Educação, num ápice se envolveram em polémicas ainda não dilucidadas que lhes enegrecem o ímpeto governativo. Veremos o que os inquéritos judiciais e as auditorias e audições parlamentares trarão no futuro próximo.

Felizmente que esta “onda negra” destes dois últimos ocorre em simultâneo com as férias parlamentares. Em Setembro, na “rentrée”, todas as embrulhadas estarão esquecidas e, se Luís Neves passar com aprovação na prova de fogo de algodão dos incêndios de Verão, recuperará o estado de graça que o pré-consagrava como o homem certo no lugar certo. O mesmo com Fernando Alexandre, se tudo normalizar na 2ª época dos exames.

Ainda assim, e por falarmos em estado de graça, o maior é a ausência de uma oposição credível e vigorosa.

O maior partido da oposição, o Chega, que tanto deste estatuto se vangloria, vai-se afundando nas suas trampolineirices truculentas. O PS, uma mão no mar outra na jangada, soçobra, vítima de um passado controverso, na demanda da sua acredível voz, que José Luís Carneiro tarda em tornar audível.

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Publicado em Opinião