“É absolutamente indubitável que o acesso de semianalfabetos ao poder económico e político acarretou uma grave perda de riqueza e dignidade no plano da linguagem.”
G. Steiner, “Linguagem e Silêncio“, Gradiva
Tempos de todas as dúvidas e estranhos fenómenos.
De repente, as “pessoas”, começam a bestializar-se e os animais a humanizar-se…
Elas já rosnam, orneiam … não tarda, mordem e escoucinham.
A ferocidade do individualismo e a irracionalidade desmesurada da cupidez gerou estranhos monstros, com particular incidência na política e na alta finança.
Se a sociedade deixou emergir as piores bestas humanas, que queríamos nós? Um Peace and Love II? Ou um remake do Apocalypse Now? Antes a tomada do Capitólio hoje desmentida pelos maga lover’s…
Já viram o espírito de missão da maioria dos pulhas que por aí pulula impado? São os novos egomissionários, gentalha podre, sem escrúpulos, amorais, corruptos, autênticos esgotos de onde só sai a mais fétida imundice…
E falam da Rússia, da Ucrânia, da Palestina, de Israel, dos EUA, da África, do Médio Oriente, da América Latina… aí já perderam a derradeira capa do verniz e do pudor. Já não são hipócritas. São o mal vestido de mal. Aqui são-no mas sob capas de sedoso arminho.
É isto o fim da linha?
Estranhos tempos estes, na presciência de que a nova inaugurada era só trará pior, minados que foram todos os valores, prevalecendo a total ausência deles com um despudor do mais refinado e bestial cinismo suportado nas mais pérfidas formas de comunicação global, alheias de tudo que não seja influenciar a acrítica e maleável opinião pública, moldável como barro húmido, inconstante, volátil, acéfala e tão duradoira nas suas convicções como a corda diária de um relógio velho.
Premonitório Orwell: “Trotando do chiqueiro para a gamela, a vara… sorve sôfrega a lavagem, a cevar-se com a desmesurada e bestial fome de séculos.”
Os criminosos são hoje os heróis. Os bandoleiros e as suas facinorosas quadrilhas são hoje as administrações de países autointitulados faróis da liberdade e da democracia, onde a corrupção já se faz às claras, onde a justiça julga por encomenda de quem nomeia os juízes, até dos mais supremos tribunais e onde as fardas de rosto escondido têm licença para assassinar em plena rua, à luz do dia, homens e mulheres inocentes, com toda a impunidade e imunidade…