Da factura da água à Feira de São Mateus: as opções de um executivo/compulsivo no gastar

Na ausência de políticas por parte do executivo de verdadeiro combate à crise que vivemos, o aumento da factura da água não conta, surge agora por fruto das circunstâncias mais uma machadada na esperança dos viseenses.

Texto Fernando Figueiredo Fotografia Direitos Reservados (DR)

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  • 23:06 | Sexta-feira, 08 de Maio de 2020
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2020 está a ser e dificilmente deixará de ser um ano invulgar, mas há quem quase a meio do ano ainda o não tenha percebido ou o não queira perceber. Para um executivo desenhado na lógica do imediatismo e do efémero, do marketing e da propaganda a pandemia ofereceu-se como um enorme obstáculo. Incapazes de agir, de pensar e planear as actividades práticas, ineficientes na concretização das parcas e tímidas medidas tomadas por força da pressão social os dias têm sido um arrastar de pés sem terem um culpado a quem atirar as culpas ou alijar responsabilidades. O vírus serve para muita coisa, mas neste caso do executivo viseense só serviu para confirmar da sua inabilidade para as coisas práticas da gestão do dia a dia de uma comunidade e para demonstrar a sua total incompetência aos olhos daqueles que ainda lhes devotavam algum crédito. Da oposição também nada se tem a esperar mais ainda quando são eles mesmo a melhor oposição, mas a si mesmos.

O contagioso candidato à Federação feito coordenador regional do pandemónio socialista para ganhar os votos das hostes cedo infectou a CMV, a CIMVDL, o IPV e a ACCES Dão Lafões sendo agora o elemento tóxico da esperança socialista e derrota segura na possível ambição autárquica em 2021.

É sintomática esta doença viral do PS Viseu de conseguir afastar os melhores e aplaudir o compadrio, o conluio, a corrupção e a partidarite dos seus escolhidos. Já tínhamos o arco da governação no País, temos agora o arco da corrupção no concelho e até que se mobilize a sociedade viseense para uma imunização em massa com uma vacina de cidadania e democracia participativa vamos continuar neste degredo da quarentena das ideias e do desenvolvimento de Viseu.

A falta de transparência, de arrojo (inovação) e a consequente operacionalidade, com repercussões no desenvolvimento territorial por iniciativa dos servidores públicos quer pela oposição, quer pelo executivo, diminui a esperança dos habitantes do concelho. Pensemos no que concerne a melhores condições de vida sem sobressaltos na sua estabilidade económica e profissional desejada pelas diferentes faixas etárias.

Na ausência de políticas por parte do executivo de verdadeiro combate à crise que vivemos, o aumento da factura da água não conta, surge agora por fruto das circunstâncias mais uma machadada na esperança dos viseenses. O cancelamento forçoso da Feira de São Mateus é um arrombo enorme nas contas de todos quantos dela dependiam. Dos feirantes aos visitantes esta era uma rotina que se estranhará, naturalmente, mas mais ainda se sentirá nas finanças daqueles que nos últimos anos, por força da devorada e voraz estratégia do marido da directora do Viseu Marca, se viram obrigados a investir as suas parcas poupanças na melhoria dos restaurantes e esplanadas do evento, havendo até quem se tenha visto obrigado a financiar-se na banca com os custos que isso representa. Para esses, a amortização do investimento ficará agora bem mais difícil e muitos por certo sem este ventilador económico que a Feira representaria não terão condições para sonhar a Feira dos Reencontros em 2021. Nesta produção de chavões e do acessório a melhor resposta que o executivo ou pelo menos parte dele já desenhou uma “mescla imersiva safe & sexy uma programação sensata, com mais de 100 micro-eventos ao longo do Verão, polinucleados na cidade (acompanhados de arcos com luzes festivas?), onde não faltarão imaginários da Feira”. Só pensam nisto e por mais que a gente puxe já não dá mais! Ou seja, além de se desconhecer como o Codiv-19 se irá comportar ao longo dos próximos meses já se criam compromissos e planeiam eventos que dificilmente serão mais do que momentos para multiplicar pela cidade os “infectários” e de serem a forma de resgatar os amigos até porque em 2021 há eleições e convém tê-los por perto mesmo que isso signifique desbaratar dinheiros públicos que nesta fase tanta falta fase para o apoio social a famílias e às empresas. Enquanto o medo estiver presente na mente das pessoas eventos deste tipo sem a garantia da segurança dificilmente terão sucesso e não serão mais do que 4 gatos pingados a tocar música para os pseudo intelectuais urbanos que pensam que transpiram cosmopolitismo, imagem de marca do infantil politico e da trupe que o aplaude.

A aparente sabedoria (esta bacoca), carregada de um certo romantismo, simbolizada por um vereador, expressa-se na falta de consideração pela fragilidade de indivíduos que passam por um mau momento. Dá-se conta disto, em entrevistas dadas para órgãos de comunicação social com ar jovial que em nada erradica o grave problema que poderá surgir: a fome.

As políticas devem ser definidas pelo impacto prático que podem ou não ter, e não pelo impacto mediático que os especialistas do Rossio imaginam que vão ter. Uma oposição criteriosa obrigaria a que todos esses euros fossem justificados numa lógica de retorno e de investimento nos cidadãos. A não ser assim, proporia alternativas, como por exemplo:

– A retificação ao orçamento por forma a que neste ano o macro dinheiro que vai ser literalmente queimado nesses micro eventos fosse transformado num fundo de apoio aos feirantes. Esse valor serviria para os financiar a taxa zero com uma cedência de 20% a fundo perdido com o compromisso por garantia de que até 2021 a empresa não dispensaria nenhum dos seus funcionários;

– A autorização aos restaurantes da Feira que durante a época estival pudessem estar abertos ao público respeitando as regras sanitárias da DGS e usando o espaço exterior para a colocação de mesas com distanciamento social podendo no período também funcionar como local de cinema ao ar livre;

– Promoção de mercados sectoriais com acesso condicionado e por publico alvo na perspetiva da criação de valor a essas empresas ou nichos de mercado; naturalmente que o esforço seria direcionado para a promoção dos produtos locais e marcas da região privilegiando o recurso as redes sociais e às tecnologias online.

Por muito que custe, não vale a pena sequer pensar que poderemos ter a feira para os emigrantes ou Viseu com a Feira porque a Feira sem as pessoas não o será nunca. Individualmente cada um de nós poderá optar por ir ou não à feira, caso ela existisse, mas quem governa não pode em circunstância alguma colocar as pessoas sequer perante tal circunstância estando em causa a saúde pública. Seria uma irresponsabilidade para ser simpático! Poderemos chegar a meio de Agosto e concluir que foi um exagero. Antes isso desde que se assegurem às pessoas e aos feirantes as condições para que em 2021 todos com motivação acrescida possamos voltar a ser felizes na Feira. A identidade e dinâmica da Feira pode sempre ser recuperada. Quem não percebe isso e só sabe organizar eventos então que vá organizar o Carnaval de Ovar.

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