Em 1960, o escritor norte-americano John Updik iniciou a sua sucessão de romances sobre a vida do jogador de basquetebol Harry ‘Rabbit’ Angstrom, com a qual ganhou notoriedade e o Prémio Pulitzer, por duas vezes.
Deliciei-me, na altura, com esta heptologia e hoje, numa revisita rápida, vasculhando nas prateleiras, só consegui encontrar três desses títulos. Os outros aparecerão quando não forem precisos.
Fazendo jus ao lema de que os inimigos estão dentro da nossa própria casa, não fica mal aqui citar o antigo primeiro-ministro inglês Winston Churchill, que dizia:
“Nunca interrompa o seu inimigo quando ele está a cometer um erro”.
Talvez esta máxima sirva para avaliar o trabalho do agora opositor Montenegro.
Mas mais célebre é esta, referindo-se à traição vinda de dentro do próprio partido: Quando um novo deputado indicou os trabalhistas como seus inimigos, Churchill corrigiu: “Ali sentam-se os nossos adversários; os nossos inimigos sentam-se ao nosso lado, na nossa bancada”.
Pois é assim e ao que parece, o pesadelo de Luís Montenegro está agora ficado em Passos Coelho, de cujo governo foi líder parlamentar.
Assistir-lhe-á razão em muitas das suas diatribes e com elas, até consegue roubar palco ao brando José Luís Carneiro, do PS.
Aparecerá assim, ao lado de Ventura, como seu “impedido” ou vice-presidente, enquanto alternativa a Montenegro, prestes a liderar o PSD para, com o Chega fazer a grande coligação da ultra-direita portuguesa, pronta para mais um Estado Novo de três dezenas de anos de poder.