“Corre, Coelho”, ou “Rabbit, Run”, de John Updik

Aparecerá assim, ao lado de Ventura, como seu “impedido” ou vice-presidente, enquanto alternativa a Montenegro, prestes a liderar o PSD para, com o Chega fazer a grande coligação da ultra-direita portuguesa, pronta para mais um Estado Novo de três dezenas de anos de poder.

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  • 18:15 | Segunda-feira, 02 de Março de 2026
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Em 1960, o escritor norte-americano John Updik iniciou a sua sucessão de romances sobre a vida do jogador de basquetebol Harry ‘Rabbit’ Angstrom, com a qual ganhou notoriedade e o Prémio Pulitzer, por duas vezes.

Deliciei-me, na altura, com esta heptologia e hoje, numa revisita rápida, vasculhando nas prateleiras, só consegui encontrar três desses títulos. Os outros aparecerão quando não forem precisos.

O primeiro desses romances, por mera analogia, faz-me lembrar Passos Coelho, o antigo primeiro ministro do governo do PSD coligado com o CDS-PP de Paulo Portas, agora em frenético aquecimento para regressar às lides pré-políticas com o élan e dinâmica concedidos pelos longos anos de hibernação.
Coelho corre, ao que parece, ao lado de André Ventura para criticar cada vez mais acerba e assertivamente o governo do seu correligionário (?) Luís Montenegro.

Fazendo jus ao lema de que os inimigos estão dentro da nossa própria casa, não fica mal aqui citar o antigo primeiro-ministro inglês Winston Churchill, que dizia:


“Nunca interrompa o seu inimigo quando ele está a cometer um erro”.

Talvez esta máxima sirva para avaliar o trabalho do agora opositor Montenegro.

Mas mais célebre é esta, referindo-se à traição vinda de dentro do próprio partido: Quando um novo deputado indicou os trabalhistas como seus inimigos, Churchill corrigiu: “Ali sentam-se os nossos adversários; os nossos inimigos sentam-se ao nosso lado, na nossa bancada”.

Pois é assim e ao que parece, o pesadelo de Luís Montenegro está agora ficado em Passos Coelho, de cujo governo foi líder parlamentar.

Como um maratonista de grande alcance, Passos Coelho andou a pairar como um messiânico espectro sobre a actual política nacional e, altamente crítico da prática deste governo – da sua família política – aproximando-se vertiginosamente do Chega e do seu líder André Ventura, como numa eira, de mangual em punho, malha para todos os lados.

Assistir-lhe-á razão em muitas das suas diatribes e com elas, até consegue roubar palco ao brando José Luís Carneiro, do PS.

Aparecerá assim, ao lado de Ventura, como seu “impedido” ou vice-presidente, enquanto alternativa a Montenegro, prestes a liderar o PSD para, com o Chega fazer a grande coligação da ultra-direita portuguesa, pronta para mais um Estado Novo de três dezenas de anos de poder.

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Publicado em Opinião