Avaliação das medidas aplicadas pela Câmara Municipal de Viseu ao abrigo do Projeto Viseu Ajuda+

Chegou o tempo de demonstrar que a saúde financeira apregoada é real e capaz de chegar aos viseenses que dela precisam, caso contrário, andámos a assistir a uma narrativa mal contada.

Texto Carlos Cunha Fotografia Direitos Reservados (DR)

Tópico(s) Artigo

  • 23:41 | Sexta-feira, 22 de Maio de 2020
  • Ler em 2 minutos

O regresso à atividade está a ser feito de forma lenta e com muitos cuidados para se preservarem as condições de saúde. A prudência e as cautelas prévias são fundamentais para se minimizarem os riscos.

O distanciamento social veio para durar. Muita da política autárquica faz da proximidade o seu lema. Quanto mais próximos estiverem do povo, melhor o conhecem e mais rápido podem intervir (se tiverem vontade e meios para tal, claro está!).

Para combater as sequelas económicas e sociais abertas pela pandemia a CMV lançou o programa Viseu Ajuda+. A maior parte das medidas caduca no fim do mês de Junho. A crise social e económica que se abateu sobre algumas famílias, comércio e empresas tem um prazo temporal muito mais dilatado. A CMV andou muito mal quando resolveu aumentar a fatura da água aos viseenses ao abrigo de uma regulação europeia que ninguém percebeu, tal a cacofonia que envolveu as explicações de António Almeida Henriques. Ao aumentar o preço da fatura da água, AH percebeu mal os sinais da pandemia. Não falhou sozinho! Contudo, a forte contestação nas redes sociais levou o Executivo a embrulhar à pressa um desconto de 15% no preço da água durante os meses de Abril, Maio e Junho. A mim esse desconto deu-me para comprar mais 12 carcaças por mês no café das Beiras, onde vou normalmente ao pão, ou para dois cafés e três pastilhas sem açúcar, que são ao preço da carcaça.

Feitas as contas ao evoluir da situação, o Executivo terá de prolongar esse desconto até ao final do presente ano. Aumentar a água não é ilegal, mas aumentá-la nestas circunstâncias é absolutamente imoral e fará crescer a contestação do povo viseense e este ano não há festas para ajudar a sublimar as medidas que nos vão ao bolso.

Os feirantes da Feira Semanal estão a retomar de forma lenta a sua atividade. Primeiro regressaram os vendedores de plantas e esta semana os vendedores de bens alimentares. A CMV isentou-os do pagamento de taxas durante os meses de Abril, Maio e Junho. Não fez mais do que a sua obrigação, uma vez que os feirantes faturaram zero. Não creio que as taxas que pagam pesem no orçamento camarário, pelo que será necessário prolongar essa isenção até ao final de 2020.

Por fim, os comerciantes que estiveram encerrados durante o trimestre de Abril a Junho tiveram isenção do pagamento da água. A Câmara fez o que lhe competia, mas será necessário que estes comerciantes continuem a usufruir de medidas de apoio, porque a faturação está a ser muito lenta. Como tal, torna-se necessário continuarem a beneficiar de uma redução de 50% na sua fatura da água até ao final de 2020.

Chegou o tempo de demonstrar que a saúde financeira apregoada é real e capaz de chegar aos viseenses que dela precisam, caso contrário, andámos a assistir a uma narrativa mal contada.

Gosto do artigo
Palavras-chave
Publicado por
Publicado em Opinião