Atentados ou artificioso marketing político?

E depois há os outros, aqueles que se engasgam nos comícios e são hospitalizados, outros que levam uma navalhada na barriga, outros um tiro de raspão numa orelha... ou, num evento público em directo, difundido por centenas de câmaras, são salvos espectacularmente, como naqueles filmes made in hollywood pelos heróicos “body guards” .

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  • 20:51 | Domingo, 26 de Abril de 2026
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A História da humanidade, infelizmente, está cheia de atentados contra políticos que redundaram em abomináveis crimes.

Nos EUA basta lembrar os assassinatos de John F. Kennedy e do seu irmão, Robert F. Kennedy ou de Martin Luther King, Jr… mas podemos começar com Abraham Lincoln, morto com um tiro na nuca em 1865, ou James A. Garfield, ou William McKinley

Podemos também lembrar o assassinato de Gandhi, em 1948 e tantos outros, por esse planeta fora.


Um pouco por todo o mundo, políticos morreram às balas de seus opositores por causa dos seus actos, das suas ideologias, dos ódios que levantaram, por medo do que poderiam ainda vir a fazer, de positivo para muitos ou de negativo para alguns, não obstante, a maioria desses atentados não logrou o pretendido efeito. Até em Portugal, em 1937, Salazar foi alvo de um atentado à bomba sem consequências de maior. Ou o atentado fracassado contra Hitler, em 1944…

Porém, no 1º de Fevereiro de 1908, o rei D. Carlos I e o príncipe herdeiro, D. Luís Filipe, não tiveram essa sorte.

Contudo, hoje em dia, parece que os atentados e as doenças súbitas de políticos se tornaram, neste “fake world”, em mais uma estratégia de marketing político com resultados garantidos na psicologia colectiva das massas, que se enche de piedade pelos seus atacados e vulneráveis líderes, dando-lhes mais um benefício de dúvida nos maus momentos, e guindando-os a vítimas de diabólicas potências malignas secretas.

E depois há os outros, aqueles que se engasgam nos comícios e são hospitalizados, outros que levam uma navalhada no abdómen, outros um tiro de raspão numa orelha… ou, num evento público em directo, difundido por centenas de câmaras, são salvos espectacularmente, como naqueles filmes made in hollywood pelos heróicos “body guards” .

Em comum o contexto eleitoral, em comum baixos índices de popularidade com quebra abrupta das simpatias antes granjeadas, em comum a ideologia subjacente, em comum a síndrome de Calimero, em comum a imediata e oportuna mediatização, em comum o eleitorado acrítico que faz da “vítima” mártir em andor de procissão.

Claro que as teorias de conspiração se multiplicam e estas, perante a práxis política destas “vítimas” e o contexto de repetidas falsidades que criam poderão até ser conjecturalmente admissíveis.

Será que a sorte deles é assim tanta que escapam ilesos de todos estes ineptos “matadores”? Terão sete vidas como os gatos? Ainda bem. A violência política, por mais controversos que sejam os alvos, não é minimamente justificável. Mas há também aqueles que defendem que semeadores de ventos só poderão colher tempestades…

Hoje, há líderes políticos que só aparecem publicamente rodeados de um exército de seguranças, de guarda-costas, de forças policiais de elite… De que terão medo? Da impopularidade das políticas que propõem e geram? Da malevolidade que irradiam por todo o lado? Do ódio que destilam? Da animosidade que geram? Da violência que instigam?

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Publicado em Opinião