A táctica ou a Política? Ou as entrelinhas da acção partidária

Isto a propósito da previamente anunciada abstenção do Partido Socialista ao Orçamento de Estado para 2027, tão antecipadamente vocalizada, que deixou ao Chega e até à Iniciativa Liberal o conforto de poder votar contra e, assim, assumirem-se como líderes da oposição e poder colher, mais que o PS que ficará amarrado à sua aprovação, os frutos das eventuais consequências nefastas da execução orçamental. 

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  • 13:05 | Segunda-feira, 12 de Outubro de 2026
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Comecemos pelo início. Elegemos representantes para nos representar. Certo? Então como é que num assunto tão importante como a aprovação de um Orçamento de Estado podemos ter deputados a não tomar uma posição firme de serem contra ou a favor desse documento? Um assunto que é tido como tão importante que até impõe a famigerada “disciplina de voto”, onde todos os deputados de um partido são “obrigados” a votar de acordo com o que o partido determinar previamente, contempla a abstenção como opção lógica? Não leram o documento?! Não têm opinião definida?! É igual ao litro que ele passe ou chumbe?!

Isto a propósito da previamente anunciada abstenção do Partido Socialista ao Orçamento de Estado para 2027, tão antecipadamente vocalizada, que deixou ao Chega e até à Iniciativa Liberal o conforto de poder votar contra e, assim, assumirem-se como líderes da oposição e poder colher, mais que o PS que ficará amarrado à sua aprovação, os frutos das eventuais consequências nefastas da execução orçamental.

Todos sabemos que o que levará o PS a abster-se (acto que se desconhece se é ou não violento), é a prevalência da táctica sobre tudo o resto. O PS considerará que a abstenção lhe trará mais dividendos do que ser consequente com as “suas mais profundas convicções” (José Luís Carneiro dixit) e votar contra. 

O problema é que quando se privilegia a táctica sobre tudo o resto, nomeadamente sobre as políticas que dizemos professar, estamos a promover a fusão numa amálgama indiferenciada, uma espécie de isotropia política, e a dar razão ao mantra do “os políticos são todos iguais”.


Se todos optassem pela táctica, secundarizando as suas “mais profundas convicções”, então, em última instância, deixaríamos de ter convicções e teríamos apenas táctica. Assim os partidos políticos deixariam de ser (até em teoria) agremiações de gente que professa ideias semelhantes para passarem a ser igrejas que idolatram os mestres da táctica, com ou sem nota artística. 

Como é óbvio os “populismos” só nascem porque há redes sociais em especial o TikTok. Não é?

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Publicado em Opinião