São conhecidas as posições xenófobas da primeira ministra Giorgia Meloni, do partido de direita, nacional conservador, Fratelli d’Italia. Ainda agora tal se viu com o que se passou em Ceuta e com as tomadas de posição que de imediato assumiu, no seio da Comunidade Europeia.
Aliás, a teoria da supremacia branca contra aquilo que foi chamado de “substituição étnica”, terá sido um dos pontos fulcrais para a eleição de Meloni.
E porém, segundo o relatório “Italianos no Mundo 2025”, há 6.412.752 cidadãos italianos emigrados, do total de uma população de 58.934.177 de habitantes, ou seja, 12%, superando em mais de um milhão os imigrantes (5,4 milhões segundo o ISTAT).
Segundo dados da Fundação Migrantes, o número de emigrantes continua a aumentar em Itália, com mais de 300 mil registados nos últimos anos. (AIRE).
Há até relatórios que referem que o exterior é a 21ª região de Itália (a Itália compreende 20 regiões administrativas, 8 a Norte, 6 no Centro, 6 no Sul e Ilhas).
Destes emigrantes, 53,8% residem na Europa com principal incidência na Alemanha (849 mil) e com 41,1% residentes nas Américas, principalmente na Argentina (990 mil), dividindo-se os restantes, em geral, pelo Brasil, Suíça, França e EUA.
A questão que se coloca: Porque terão emigrado? Talvez pelo mesmo motivo, mais atenuado e não por tão flagrantes causas, que os marroquinos tentaram a sua migração descontrolada e vilmente provocada para Espanha.
Quem emigra fá-lo em busca de uma vida melhor, mais digna e com trabalho adequadamente remunerado.
Quando a Itália, pátria de Mussolini e berço do fascismo, advoga tão convictamente a sua política xenófoba, decerto não gostaria que os seus concidadãos globo fora, fossem tratados com desumanidade, fossem marginalizados, fossem postos do outro lado das fronteiras.
Não somos de modo algum apologistas de movimentos migratórios descontrolados, mas sabemos também que, com o crescente recuo demográfico, e referindo-me ao nosso país (e à Europa, em geral), os imigrantes devidamente legalizados e socialmente integrados são fundamentais para a nossa economia.
O resto, bom o resto, é o discurso do ódio gerador da inquietação e do medo para criar a instabilidade onde a extrema direita colhe os seus frutos, alimentada pela desinformação, pelas fake news e pela reiterada distorção hiperbólica da realidade.