O debate de ontem na CNN entre o historiador Pacheco Pereira e o líder do Chega, André Ventura não trouxe nada de novo, de substantivo para a matéria debatida, antes provou inequivocamente que a seriedade, a sapiência, o rigor histórico, o comedimento e a educação resvalaram na trafulhice, na ignorância, na distorção factual, na guincharia e na grosseria.
Interrompendo a torto e a esmo, fugindo com astúcia às questões que não lhe interessavam, falando aos berros – que não intimidaram Pacheco Pereira – o debate de mais de uma hora foi mais um momento aproveitado para dar foco a Ventura e para lhe dar a oportunidade de falar para os seus fiéis discípulos que se reveem na confusão, na trauliteirice e na agressividade argumentativa. Aliás, defesa básica dos ignorantes que suprem a vacuidade sapiental com a tonitruância do ruído.
Enquanto Pacheco Pereiro tentou repor com fidedignidade documental a realidade histórica, a veracidade dos factos, Ventura ignorou o que não lhe convinha e hasteou o que lhe deu jeito.
No fundo, lapidar a frase de Pacheco Pereira que resume o debate: “Ventura está a justificar a ditadura”…
Esquecendo movimentos como o MDLP e o ELP, Ventura podia ter referido o seu guru ideológico, Pacheco de Amorim, mas esqueceu-se, só se lembrou das FP25 e quando falou de corrupção, um dos seus temas axiais, esqueceu-se de referir alguns dos financiadores do partido ou, alguns dos seus ídolos: Trump, Orbán, Abascal, Le Pen, Salvini e por aí fora, que o rol é longo.
Ao jornalista, por sua vez, faltou-lhe a capacidade para moderar com rigor e assertividade o debate, debate esse que foi mais um momento falhado mas, como convém, com um decerto excelente “share” de audiências.