A ignorância atrevida

Esquecendo movimentos como o MDLP e o ELP, Ventura podia ter referido o seu guru ideológico, Pacheco de Amorim, mas esqueceu-se, só se lembrou das FP25 e quando falou de corrupção, um dos seus temas axiais, esqueceu-se de referir alguns dos financiadores do partido ou, alguns dos seus ídolos: Trump, Orbán, Abascal, Le Pen, Salvini e por aí fora, que o rol é longo.

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  • 12:05 | Terça-feira, 14 de Abril de 2026
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O debate de ontem na CNN entre o historiador Pacheco Pereira e o líder do Chega, André Ventura não trouxe nada de novo, de substantivo para a matéria debatida, antes provou inequivocamente que a seriedade, a sapiência, o rigor histórico, o comedimento e a educação resvalaram na trafulhice, na ignorância, na distorção factual, na guincharia e na grosseria.

Louvável a iniciativa de Pacheco Pereira em pretender corrigir o discurso demagógico de um atrevido populista. Ingenuidade sua, porém, pois tinha obrigação de conhecer os métodos arruaceiros do interlocutor e a capacidade voraz que ele demonstra em se apropriar da verdade histórica, deturpando-a a bel-prazer para servir aos seus interesses oportunísticos.

Interrompendo a torto e a esmo, fugindo com astúcia às questões que não lhe interessavam, falando aos berros – que não intimidaram Pacheco Pereira – o debate de mais de uma hora foi mais um momento aproveitado para dar foco a Ventura e para lhe dar a oportunidade de falar para os seus fiéis discípulos que se reveem na confusão, na trauliteirice e na agressividade argumentativa. Aliás, defesa básica dos ignorantes que suprem a vacuidade sapiental com a tonitruância do ruído.

Enquanto Pacheco Pereiro tentou repor com fidedignidade documental a realidade histórica, a veracidade dos factos, Ventura ignorou o que não lhe convinha e hasteou o que lhe deu jeito.


No fundo, lapidar a frase de Pacheco Pereira que resume o debate: “Ventura está a justificar a ditadura”…

Esquecendo movimentos como o MDLP e o ELP, Ventura podia ter referido o seu guru ideológico, Pacheco de Amorim, mas esqueceu-se, só se lembrou das FP25 e quando falou de corrupção, um dos seus temas axiais, esqueceu-se de referir alguns dos financiadores do partido ou, alguns dos seus ídolos: Trump, Orbán, Abascal, Le Pen, Salvini e por aí fora, que o rol é longo.

Ao jornalista, por sua vez, faltou-lhe a capacidade para moderar com rigor e assertividade o debate, debate esse que foi mais um momento falhado mas, como convém, com um decerto excelente “share” de audiências.

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Publicado em Opinião