A fusão

Para quando uma reforma que congregue o maior arco partidário possível? Quando acabará esta vertigem de cada ministro, independentemente do interesse nacional, querer deixar uma marca sua nas políticas do ministério que tutela?

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  • 17:20 | Segunda-feira, 14 de Setembro de 2026
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Avança a fusão do 1.⁰ e do 2.⁰ ciclos, em teste alargado no próximo ano lectivo. E os professores até ao 4.⁰ ano vão dar menos horas de aulas.

Tenho sobre o assunto a minha opinião, mas não a vou dar, sob pena de virem por aí os carniceiros das palavras, os que falam sem vírgulas, uma alcateia de lobos esfaimados a descerem a ladeira, prestos a desancarem na vítima. Tipos e tipas que nunca deram uma aula, nunca apagaram um quadro, nunca trabalharam ao toque da campainha, nunca estiveram à frente de uma turma, durante 45 ou 90 minutos. Muitas dessas enciclopédias falam sentadas nos manuais que decoraram, de onde respigam frases bonitas e rendilhadas como a filigrana de Gondomar. Mas saber de experiência feito, nada, só do que ouviram ler ou contar.

Eu tenho a minha opinião, mas, mais importante do que eu penso, é uma outra questão, uma doença nacional. Para quando uma reforma que congregue o maior arco partidário possível? Quando acabará esta vertigem de cada ministro, independentemente do interesse nacional, querer deixar uma marca sua nas políticas do ministério que tutela? O país precisa de reformas e precisa também de líderes que tenham disponibilidade para as fazer, e as aceitar alargadas. Caboucando, negociando e cedendo, perdendo e ganhando, mas sempre impulsionados pelo sentido patriótico. Penso que medidas desta grandeza e amplitude devem procurar consensos, dando outra estabilidade e continuidade às mudanças. Infelizmente, o que acontece é que os ministros decidem pela agenda partidária, fecham-se, decretam, e o que vem a seguir copia-lhe as passadas e repete os erros. Sinais de uma democracia por amadurecer. Para lá da foto na galeria no salão nobre, coisa banal e vulgar, um ministro tem uma suprema ambição: deixar uma marca. E essa quase obsessão congela qualquer ideia de partilha.


Os nossos democratas ainda têm muito a aprender. Têm um umbigo grande, uma vaidade maior, e uma côrte que, sentada nas mordomias e vivendo na babugem do orçamento, castra iniciativas e derruba credibilidades. Com jeitos de tiranos mal vestidos, vai essa gente frágil e arrivista derrubando a liberdade.

 

Rebelo Marinho

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Publicado em Opinião