Memórias

por Ana Beja | 2015.09.03 - 11:52

Passamos a vida inteira a criar memórias.

As memórias são como um livro. Ou um diário. Bem guardado. Uma caixa de pandora arrumada numa gaveta e fechada a 7 chaves.

Quem não tem memórias? Quem não relembra com saudade o tempo que já viveu? Ninguém nos apaga a memória. Ela é nossa. É pessoal e intransmissível. E podemos contar ou não as nossas memórias. Elas são capítulos da nossa história. E nesses capítulos, as personagens, os lugares e as situações vão-se alterando.

 

Eu gosto de contar as minhas histórias. Gosto de me lembrar do que já passou e do que já vivi. Muitas vezes, quando viajo por alguns capítulos, relembro-me de pessoas que infelizmente já não fazem parte das minhas histórias, mas que estão sempre presentes na minha memória. E por isso perpetuam no tempo.

A perda dessas pessoas é insubstituível. Deixam-me no vazio sempre que penso que já não estão no meu presente.  Transformam a dor numa sensação de incapacidade, num poço sem fundo ou caminho sem retorno, num desejo infinito de fazer recuar o tempo e de as trazer de volta para ao pé de mim…

Se eu mandasse no tempo, este nunca teria fim. Seriamos eternos. Não havia ditados como “para morrer só é preciso estar vivo”, nem “antes a morte que tal sorte”.

 

No entanto, e graças ao poder de recorrer à minha memória, as pessoas das quais eu tenho o coração cheio de saudade, voltam a ganhar voz e movimento. Voltam a ser parte de mim. Ganham vida. E muitas vezes, em vez da lágrima que já espreita, solto uma enorme gargalhada ao pensar no que vivi com elas. E na honra que tive em fazer parte das suas vidas.

Já perdi algumas pessoas que me eram (e são) muito queridas, no entanto, a grandeza de as recordar fazem com que essas memórias ganhem ainda mais sentido.  Afinal, recordar não é viver? Então, e fazendo jus ao ditado (deste já gosto mais), criem-se memórias. Vivam. Riam. Sejam felizes. Aumentem capítulos à vida. Construam histórias. Aproveitem o melhor de cada momento.

 

Se pudesse construir uma nova história, cada uma dessas pessoas que estão no meu livro bem guardado, continuariam comigo a acrescentar capítulos. Como já não estão, resta-me recordá-los a todos e conservá-los com muito carinho na minha memória.

 

Este texto é dedicado a todos aqueles que já partiram e que farão sempre parte da minha história.