Viver em Viseu

por Paulo Neto | 2019.02.20 - 09:38

 

 

Vivo em Viseu há 37 anos. Por opção pessoal e profissional. Podia viver em qualquer cidade ou aldeia de Portugal. Mas escolhi Viseu. Continuo a gostar desta cidade, porém, cada vez mais enjoo os políticos autárquicos que a governam.

Deitando a mão a tudo, tudo tentando controlar, não para melhorar mas por motivos meramente eleitorais – a título de mero exemplo, vidé conselhos gerais das escolas, criados por uma famigerada lei de uma ministra incompetente dos tempos de Sócrates, que meteu, entre outros, as juntas de freguesia a pontificar sobre os conselhos directivos, mesmo quando os presidentes ou representantes das juntas nada percebem do assunto, ou nalguns casos foram professores sem vocação…

Esta cidade que eu escolhi para viver tem tido a infelicidade de gramar os autarcas de “meia tijela” que por aí têm passado. Território “laranja” por tradição, conservador por natureza, adulador de cónegos e diáconos, este “cavaquistão” deixará custos altos e uma factura pesada a pagar por todos os munícipes e pelas gerações futuras.

Entretanto, o actual presidente do município e a sua trombeta cacofónica, o vereador “doirado”, anunciam aos 7 ventos criação de empregos às centenas, esperando-se até que comecem a chegar os autocarros com jovens académicos de elevado potencial para este Silicon Valley do Pavia.

Aliás nisso são consequentes, pois têm vindo a prometer tretas e baldretas desde que tomaram posse. Porém, a sucessão de “inconseguimentos” é o inequívoco clamor que se ergue aos jornais e rádios sussurrantes do regime.

O lixo, fora da parada, já nem varrido é para debaixo do tapete. Está à vista de quem tem olhos para ver. Os “monos” urbanos como aquele do outro lado do estabelecimento prisional, na circular, arrastam-se inviabilizados, estrangulando o trânsito diariamente. Se há risco de qualquer derrocada que ponha em causa peões ou veículos, ponham rede de malha e sejam eficazes, sem cortar o fluxo circulatório. Todavia, é mais fácil interditar com barreiras, “borrifando-se” para os utentes.

Mas esta crónica vem a propósito de um pequeno incidente, felizmente sem grandes consequências, ontem presenciado, aproximadamente pelas 18H00 perto do Hotel Montebelo. Uma criança, com mochila às costas, provavelmente vinda das aulas, corria passeio fora em direcção a Marzovelos. Deu uma topetada num cano que irrompe há meses do passeio, no chão marcado com uma cruz azulada, e deu uma aparatosa queda, ferindo-se no rosto que sangrava, numa mão, espalhando livros e folhas por todo lado e rasgando as calças no joelho direito.

Este simples e mero acidente que podia acontecer a qualquer um, adulto ágil ou idoso frágil, é bem o paradigma da negligência e vista curta de um agir.

Esta cidade tornou-se um buraco, a esburacar ainda mais por todo o lado, armadilhada, engasgada por um frenesim de querer mostrar obra que raramente é concluída. Este executivo pensa que esburacar e deixar os buracos a céu aberto é obrar.

Talvez aí esteja a essência de toda a sua acção autárquica: minar completamente uma cidade outrora feliz…