Viseu é de 1ª água ?

… dizia o vereador Sobrado num passado muito recente. Todavia, basta dar uma volta pela Barragem de Fagilde e pela Ribeira de Viseu, para ver que os rios Dão e Pavia já tiveram melhores dias. Certo é que ninguém ignora ter havido uma depressão de nome Elsa, muita pluviosidade, ventos fortes, etc. Foi em 14 […]

  • 13:30 | Terça-feira, 31 de Dezembro de 2019
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… dizia o vereador Sobrado num passado muito recente. Todavia, basta dar uma volta pela Barragem de Fagilde e pela Ribeira de Viseu, para ver que os rios Dão e Pavia já tiveram melhores dias.

Certo é que ninguém ignora ter havido uma depressão de nome Elsa, muita pluviosidade, ventos fortes, etc. Foi em 14 de Dezembro.


Entretanto, estamos no último dia do ano e estes dois rios, nalgumas zonas, permanecem com o rosto por lavar, apesar do excesso de água que caiu, transportando na sua vital linfa destroços múltiplos, trazidos no seu caudal.

Normal. Anormal é esses resíduos, esses detritos, esse lixo permanecer intocado e acumulado junto a comportas e pelo leito dos rios fora, vai quase para duas semanas.

Há um tempo para tudo. Após o terramoto que assolou Lisboa, em 1755, o rei D. José, aterrorizado, perguntou ao seu plenipotenciado ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, que deveria fazer-se. Foi pronta a sua resposta: “Sepultar os mortos e cuidar dos vivos…” E em 1755 ainda não havia satélites, condão de previsão, capacidade científica de profilaxia das ocorrências e meios técnicos sofisticados para obviar aos danos das “depressões”. E aqui, felizmente, não há mortos para sepultar. Apenas limpezas a fazer…

A CMV tem responsáveis por estas áreas. Deles se espera, apenas, a eficácia cuidosa na reparação dos “estragos” que não se conseguiram prever.

De resto, a crítica à qual a actuação de qualquer gestor público é passível, não é uma questão argumentativa de “seriedade”, como invoca um responsável, antes sendo uma questão de constatação dos factos e consequente chamada de atenção a quem de direito, construtivamente. Não ver isso dessa forma é mera “fuga para diante”, sendo o pior cego aquele que não quer ver…

A desculpabilização pelo ataque aos outros é indiciativa de desnorte e da incúria que grassa, da competência que tarda a ver-se e da falta de argumentos sólidos e fecundos de quem se propôs numa lista a um lugar, para cuidar da “coisa pública”, e parece não o conseguir fazer nem arcar com as responsabilidades por tal indiligência às vistas de todos demonstrada.

Nota: As fotos foram tiradas em Viseu, junta a uma das pontes da Ribeira, dia 29 deste mês.

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