Um PSD “estalinista”?

por Paulo Neto | 2014.02.12 - 16:29

Para além de fundamentalistas, com tiques estalinistas, são manifestamente incompetentes. O problema não são os disparates e injustiças que cometem internamente no PSD. O problema é que são eles que governam, por enquanto, o nosso país “, acusou hoje António Capucho em conferência de imprensa

Este militante do PPD que ajudou a criar, com Sá Carneiro, militante há 40 anos foi expulso do partido. Isto porque teve uma candidatura independente à Assembleia Municipal da câmara de Sintra.

Recordamos que o PPD/PSD foi fundado em Maio de 74 por Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Magalhães Mota. Legalizou-se em 25 de Janeiro de 1975 e passou a designar-se Partido Social Democrata a 3 de Outubro de 1976.

A estes nomes juntaram-se Mota Pinto, Barbosa de Melo, Figueiredo Dias, Xavier de Bastos, Costa Andrade, Rui Machete, Sousa Franco, Jorge Miranda, Sérvulo Correia, Marcelo Rebelo de Sousa, Miguel Veiga, Santos Silva (pai), Montalvão Machado, Fernando Nogueira…

Este partido tem nomes como Isaltino de Morais e Oliveira Costa. E outros mais que ainda não estão na prisão mas deveriam, pelo menos, passar pela Justiça a apurar da sua culpabilidade ou inocência em casos pouco claros, como Dias Loureiro, João Jardim, etc. Também os há em outros partidos, infelizmente. Não são aqui avocados porque não é sobre eles que estamos, neste momento, a escrever.

A social-democracia (SPD) de Helmut Schmidt, que foi chanceler da Alemanha Ocidental (74/82) foi a raiz de Sá Carneiro.

Os tempos mudam. O PSD de hoje é o de Passos Coelho e seus acólitos. De Miguel Relvas, de António Arnaut e quejandos. Mantém-se um Rui Machete, reciclado.

Um partido com “tiques estalinistas” (sabe-se hoje que José Estaline foi um dos mais mortíferos políticos de sempre) diz António Capucho. “São manifestamente incompetentes“, diz António Capucho. “o problema é que são eles que governam o nosso país“, diz António Capucho…

Marcelo Rebelo de Sousa, outro fundador, também não o poupa, a Passos Coelho, líder do actual PSD: “ a fraqueza e insegurança de Passos Coelho“; “não tem estratégia de reforma de Estado“; “PSD fez um erro de palmatória na gestão do dossier swap“; “Governo fez uma figura rídicula com os quadros de Miró“; “estou repugnado com a oferta de carros de luxo” … e etc.

Ou está a haver uma renovação muito acelerada dentro do PSD ou então, está a esboroar-se aos bocados, cheio de rombos por todo o lado, gerados pelas colisões entre barões, baronetes, viscondes e viscondessas desta social-democracia.

Hoje, irreversivelmente afastado da sua matriz humanista, o PSD é um partido neo-liberal “esquisito” que perdeu a confiança de imensos dos seus militantes e, definitivamente, neste momento segundo as últimas sondagens, a confiança dos portugueses. Toda a gente parece percebê-lo. Menos Passos Coelho, mas esse, ao que se consta, nunca foi muito clarividente…