Tempo de explicações

Decerto sairá muita luz. O que é excelente, pois às escuras, nas vielas e escusos semideiros da noite, são pardos todos os gatos. E nós acreditamos piamente que alguns possam ser brancos.

  • 22:03 | Quarta-feira, 06 de Maio de 2020
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De repente, o espaço argonáutico de Viseu e até nacional (pasme-se! ) apareceu sobrecarregado de comunicados, entrevistas, declarações, manifestações de apoio a caudilhos e explicações disto, daquilo e de tudo e mais alguma coisa. Uma catarse…

Daí decerto sairá muita luz. O que é excelente, pois às escuras, nas vielas e escusos semideiros da noite, são pardos todos os gatos. E nós acreditamos piamente que alguns possam ser brancos, outros castanhos e alguns cinzentos ou cor de burro quando foge.

Sun Tzu, na sua “Arte da Guerra”, explicaria essas tácticas paramilitares e provavelmente chamar-lhes-ia “fugas para diante”. Não, não são as harmoniosas de Bach…

Seja lá o que for, em conversa com o préclaro Compadre Zacarias, do fundo da sua sageza, sagacidade e experiência de vida, ouvimo-lo afirmar peremptório:

“— Aquele que tem muitos aclaramentos a dar sobre a sua conduta terá consciência plena da opacidade, equivocidade, ambiguidade, plurivocidade, incerteza, obscuridade, plurivalência, confusão, dúvida, imprecisão, vacilação (riscar os que não interessam) que ela reveste ou pode revestir. A não ser assim, porque tal e tão prementíssima obrigação ou conveniência de justificar/explicar seus actos?”

A transparência, na sua limpidez nunca é suscitadora de equívocas dúvidas. E se porventura for, com duas frases se clarificam, sem indispensabilidade de rebuscadas oratórias e empoladas labietas. Mais das vezes mera “banha da cobra”.

Claro está que uma catadupa incessante de variações (não, não são as Goldberg para cravo) e/ou tergiversações sobre a essência de cada caso, distrai e desvia as atenções recobrindo a verdade factual de um verniz cosmético com dupla função: a de esconder o sarro dando-lhe um róseo brilho.

No fundo, evasivas e subterfúgios “pour épater le bourgeois”.

Procedimento a quase fazer lembrar o sequioso que na avidez de sua desenfreada sede se finou afogado no rio onde se dessedentou…

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Publicado em Editorial