Sementes de violência

por Paulo Neto | 2017.02.01 - 11:57

 

 

A questão que se coloca é: Porque sentem as pessoas um tão grande  fascínio pela violência?

Talvez porque a violência é uma transgressão ao viver normalizado, que se quer ordeiro, pacífico e no respeito das liberdades e direitos do outro. Talvez porque a violência rompe com o quotidiano regular. Talvez porque a violência é uma bestialização do homem ou fúria da natureza, de comum cordatos. Talvez porque a violência carreia em si algo de obscuro que existe no mais fundo de todos nós. Talvez…

Porém, por exemplo, correr os canais todos de uma TV por cabo e não conseguir encontrar um filme sem assassinos, bandidos, mutantes, traficantes, malfeitores, bandidos, gangs, etc., não é tarefa fácil sendo até por vezes improfícua.

As loucas perseguições de automóveis, as street racers, os serial killers, os polícias violentos e corruptos, os political killers, a falta de escrúpulos, o sexo, a prostituição, a droga, a animalidade feroz, as armas químicas, os revólveres sofisticados, as pistolas tentadoras, as granadas vulgares, os lança-mísseis portáteis… é o que comumente se encontra num zapping por esses canais fora.

É essa realidade brutal e bestial do mundo, em geral? Creio que não. Essa é a realidade pontual ficcionada e exacerbada a um culminar desencadear das sensações de medo, terror e desejo.

Talvez as vidas andem muito acinzentadas. Provavelmente, o público busca o contraponto das suas existências mornas. Os jornais – certos jornais – já há muito o entenderam. As televisões por cabo também. A indústria cinematográfica outro tanto.

Se não ignoramos que e por exemplo nos EUA as crianças e adolescentes passam em média de 6 a 8 horas diante das televisões, numa faixa etária onde o mimetismo dita comportamentos; se as referências são do tipo violento; que queríamos nós que estes jovens interiorizassem e imitassem?

E os difusores desta onda malévola sabem conscientemente o que estão a fazer e a desencadear. Mas sabem também que as vidas comuns, brandas, pacíficas e amoráveis não vendem. E se o  que vende são as bestas do Apocalipse, então sirva-se a destruição imoderadamente. Desde que dê lucro…

Sim. Porque o lucro é hoje a ara de altar onde se sacrificam todos os princípios e onde se imolam todas as decências.

As consequências? Logo se verá, mas os produtores e indutores do mal, daí lavam as mãos como Pilatos, desde que elas se limpem a guardanapos de milhões de dólares…