Que há de comum entre o Obamacare e a TSU? Dois políticos demagógicos…

por Paulo Neto | 2017.01.22 - 13:40

 

 

A quem interessa privar quarenta e tal milhões de norte americanos do Obamacare? A gente desfavorecida, o tal “povo” para quem Trump diz que vai governar?

Mesmo que o ACA, Affordable Care Act, seja em si mesmo uma polémica fonte de contradições mal resolvidas, com muitos problemas e “consequências não-premeditadas”, tinha na essência uma “bondade social” intrínseca.

Talvez se chamada Trumpcare, o ego de Donald não se inflamasse e pugnasse pela sua continuidade ajustada às realidades entretanto surgidas.

Porém, dois pontos a considerar a jusante do acto.

As contradições entre o agir e o fazer dos políticos não são assimiláveis nem ponderadas pela maior parte dos eleitores, no momento do voto.

A maior parte dos políticos – e esta é a principal fonte do seu descrédito – não servem o povo, servindo sim interesses muito a seu montante.

Contudo, refinaram na arte da retórica para acríticos de molde a, no momento certo, lhes prometerem a frase que querem ouvir, metendo a premeio o discurso difuso onde embrulham tudo o que lhes vão tirar.

Prometer “proud” custa “peanuts”…

Sabendo ainda que as massas em geral não lêem mais que títulos, comunicam por redes sociais em lapidares frases sensacionalistas. Quando fazem discursos, usam frases curtas, elementares, com chavões bombásticos. Quanto baste para o grosso da “carneirada”.

 

Em Portugal, a TSU veio dar alento ao pré-moribundo Passos Coelho. E se ao chumbá-la se põe ao lado do PCP e do BE, que considera “os inimigos marxistas” dos portugueses, sabe que esta “faena” demagógica tão em contradição com as suas matrizes ideológico-políticas (?) ou da social-democracia que não sabemos se defende, é quanto baste para criar uma crise governamental por mor da falta de concertação social.

Daí a pôr de lado uma coerência que ele só teve a servir o desenfreado e despudorado neo-liberalismo económico, seus mercados e instituições foi um ai… dando razão ao lema “na política vale tudo”, mesmo se o tudo for a destruição hoje do ontem para conseguir subir nas intenções de voto amanhã…