Quando o Pedro Manuel acorda a pensar…

por Paulo Neto | 2014.07.16 - 18:07

 

Ontem o Pedro Manuel acordou com a natalidade na cabeça. Há quem acorde a entoar um fado do Carlos do Carmo ou uma modinha das Doce, ou a pensar na fusão PT/OI ou no buraco do BES. Mas não é o caso. Natalidade… Natalidade… Natalidade (parecia um tambor a ecoar).

O Pedro Manuel, numa vulgar terça-feira de um dia exageradamente quente de Julho, lembrou-se de uma notícia que lera algures “en passant” e lhe tinha feito impressão: “Portugal é o país da Europa com a menor taxa de natalidade anual.”

Ainda cogitou que o problema poderia dever-se ao excesso de luxo em que vivem os jovens portugueses e com o exagerado tempo despendido em frente aos plasmas do tamanho de uma parede… Mas reconsiderou e sensato ponderou: “Será isto consequência das desastrosas medidas do meu governo? Será devido ao crescente desemprego que gerei? Aos empregos precários com que remendei? Às empresas que despedem as colaboradoras que engravidam? Será que os jovens levaram a peito aquela sugestão meio a brincar, meio chocarreira para emigrarem?”

Quedou-se a matutar no problema durante quatro minutos e pôs-se a fazer contas na sua calculadora Casio constatando que a este ritmo, em 2030, Portugal seria um país de idosos, desertificado de sangue jovem e de renovação populacional. E isso doeu-lhe no seu coração sensível, como lhe doera, na semana passada, o joanete do pé direito…

De súbito, mandou chamar a Maria Luís e colocou-lhe a questão até e porque sendo mulher teria mais sensibilidade para esta problemática da maternidade/fecundidade/natalidade…

“Meu caro Pedro Manuel, não se preocupe com ninharias”, redarguiu-lhe. “Faltam 16 anos para 2030 e nessa altura, o Pedro estará com 66 anos e a gozar a sua merecida reforma num resort das Bermudas e eu, com 63, se não estiver na Goldman- Sachs, serei primeira-ministra de Portugal… Temos muito, muito tempo!”