Portugal é uma “democracia fraca”. Vamos à democracia directa?

por Paulo Neto | 2016.08.28 - 09:41

 

Cada vez é maior a crise de liderança dos partidos políticos. Os casos de António José Seguro, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, entre dezenas, são dela modelar exemplo. Com maus generais não há boas tropas. E isso reflecte-se danosamente nas nédias minorias fazedoras de política em Portugal.

Em simultâneo, não só a qualidade intelectual e “profissional” dos nossos deputados, em geral, aliada a um “passado sem passado” que não o das tropelias nos botecos das jotas, faz deles alvo de uma desprezível opinião da grande maioria dos portugueses, dos quais 93% afirma não ter confiança nos partidos políticos e mais de 50% expressa desilusão e desconfiança acerca da democracia em Portugal. O que é gravíssimo…

E isto porque, grosso modo, não se confirma no terreno o que Péricles (431 a.C.) pensou acerca da incipiente democracia como “a administração do Estado no interesse do povo”.

As lideranças são débeis (ou serviçalmente enganadoras) e os valores estão em crise. Ou em baixa. Ou nem sequer existem. Ainda assim, segundo o Index da Democracia – 2015, medidos o pluralismo, as liberdades civis e a cultura política, nos primeiros 20 países, os de democracia plena – Portugal é uma democracia fraca situado em 33º lugar – só 5 países não são europeus, sendo 13 do norte da Europa e 2 do sul.

Interessante ponto para alargadíssima reflexão…

Por isto e face ao descrédito crescente da democracia representativa, até que ponto a democracia directa não poderá ser uma resposta a esta consolidada crise? Talvez o fraco grau de cidadania em Portugal seja disso obstativo; talvez o progressivo desencanto dos mais jovens adie a emergência das comunidades políticas e a sua capacidade de ter voz em temas políticos decisivos, com a sua votação directa em referendos. Talvez…

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…Talvez tenhamos que aceitar como uma fatalidade o reinado dos medíocres, não empenhados no “interesse do povo”, mas sim encarniçados no seu interesse pessoal e ao serviço dos interesses neo-liberais e sua escalada de “privatizações de serviços públicos, desregulação económica, liberalização do mercado de trabalho, destruição de direitos sociais e demonização do Estado”, como bem lembrava J. Vítor Malheiros, na sua crónica (“Público”).