Politiqueiros de excelência

Eles andam por aí, a cozinhar as artimanhas costumeiras e a contaminar a coisa pública com o desmérito da incompetência.

  • 20:30 | Terça-feira, 04 de Fevereiro de 2020
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Para descrédito da classe há uns políticos de bastidores que supõem ser o mérito sinónimo de “amiguismo” e o “amiguismo” o “summum bonum” das virtudes.

Como se não bastasse esta dislexia semântico-cognitiva, arrogam-se a competências decisórias e discricionárias para as quais, nunca, em circunstância alguma, deram provada prova de o fado para tal os ter dotado. Mais bizarra ainda é a capacidade ilusionista que crêem ter da invisibilidade, julgando-se protegidos por uma opacidade sombria, mas que mais não é senão frágil vidro translúcido por onde se esgueira, ambígua, a má verdade dos seus actos.

Como se tal não fosse suficiente, do alto de uma imaginária sapiência – só rançosa espertice – gostam de pensar-se aladinos e dos outros fazer parvos. A mais das vezes não passando de megalómanos com cataratas expandidas da balofa gordura dos seus egos inchados.

Eles andam por aí a fazer-se passar por pilares de verticalidade no aspecto, sendo nos actos tortos como a torre de Pisa, mas ignorando ainda que aos 90º iniciais já faltam mais de 45 e é crescente a sua aproximação, cada vez mais oblíqua, à primária horizontalidade.

Desmascarar tais criaturas é uma missão, um acto de utilidade pública e uma higienização social.
É gente desta que arrasta na lama pútrida, tomando-se o todo pela parte, muitos políticos de inegáveis qualidades e inquestionável seriedade. O povo é mais singelo quando conclui: “Paga o justo pelo pecador”. Mas pior mesmo é o pecador tomar-se por justo e fazer passar os justos por pecadores.

Eles andam por aí, a cozinhar as artimanhas costumeiras e a contaminar a coisa pública com o desmérito da incompetência.

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Publicado em Editorial