Os desfiles militares de que a Pátria tanto carece

Curiosamente, estes rituais bélicos atingiram a sua culminância com Adolf Hitler, Benito Mussolini, Francisco Franco, José Estaline, Vladimir Putin, Mao Tsé Tung, King Jing-un e, até à nossa modesta dimensão, com Oliveira Salazar, no Dia da Raça.

  • 11:11 | Domingo, 08 de Maio de 2022
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Há muitos países que glorificam o “seu” dia com grandes e imponentes desfiles militares.

Em Portugal é o 10 de Junho, o Dia de Portugal e de Camões. Em França o 14 de Julho, a Tomada da Bastilha. Em Itália o 2 de Junho comemora o Dia da República Italiana. O 12 de Outubro é o Dia Nacional Espanhol, etc.

Mas nada chega aos desfiles militares da China, da Coreia do Norte, da Rússia… Estas três potências aproveitam para festejar, respectivamente, no 1º de Outubro o Dia Nacional, o 9 de Maio comemora o dia da Vitória Soviética sobre o III Reich, o 9 de Setembro festeja o Dia da Fundação da República.


Nestes três países, aproveita-se a efeméride para mostrar à Nação a autoridade do regime e para mostrar ao mundo o poderio militar das suas forças armadas, funcionando assim, na sua marcial ostentação como como clara propaganda bélica e sério aviso ao mundo, em geral.

De outra forma visto, esta necessidade de fazer músculo ou, como os miúdos, provar a masculinidade tentando ver quem consegue fazer xixi mais longe, é também, e em derradeira instância, uma recôndita evidência de um qualquer residual temor assim suprido pelo exibicionismo e o alarde das apocalípticas máquinas de destruição. O meu é maior que o teu…

Curiosamente, estes rituais bélicos atingiram a sua culminância com Adolf Hitler, Benito Mussolini, Francisco Franco, José Estaline, Vladimir Putin, Mao Tsé Tung, King Jing-un e, até à nossa modesta dimensão, com Oliveira Salazar, no Dia da Raça.

Os déspotas só o são enquanto a montante de seu reinado, para lhes acautelar as espaldas, têm a força das armas. Sem elas, tudo num instante se esboroa, como um frágil castelo de cartas ao sopro de uma criança.

Estas paradas são acompanhadas de esplêndidas bandas militares e entoados hinos, como este, de 1937, que por mera curiosidade aqui se deixa. Hino da Legião Portuguesa,  com letra de José Gonçalves Lobo e com música de Frederico de Freitas…

 

Nós temos que vencer
Nada temos a temer
Da invasão comunista.
Já existe a Legião,
Ao vento solta o pendão,
Dá combate ao anarquista.
Não voltamos ao passado,
Acabou o revoltado,
Disso temos a certeza;
E mais tranquilos andamos
Porque todos confiamos
Na Legião Portuguesa.
Reparai no seu marchar,
Os braços a oscilar,
Elevando a mão ao peito.
Garbosos e aprumados,
São verdadeiros soldados
Da ordem e do respeito.
Ele é um soldado unido,
Quer na paz ou quer no perigo,
O seu lema é avançar.
Respeita o seu comandante,
Gritando sempre: Avante!
Por Salazar! Por Salazar!

 

1939, Terreiro do Paço, tributo a António de Oliveira Salazar

 

(Fotos DR)

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