A bufonaria de Putin

Talvez afinal o renascimento tardio destas "fénixes" esteja aí, no Kremlin, incorporado na pele de um antigo agente da KGB, pronto para ensaiar a derradeira ilusão, a de criar a Euroásia, de Moscovo a Lisboa, contra o maléfico – diz ele – espectro do atlantismo que tanto o intimida, assusta e, ao mesmo tempo, fornece os pretextos para os seus hediondos crimes contra a Humanidade.

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  • 19:55 | Sábado, 07 de Maio de 2022
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No simbólico dia 9 de Maio, Vladimir Putin leva a cena a sua trágica chocarrice, escolhendo entre outros palcos para a macabra coreografia, as portas do complexo fabril de Azovstal, na cidade de Mariupol.

O mefistofélico presidente da Rússia limpa à pressa os destroços da destruição perpetrada, para sobre as cinzas poderem desfilar as suas “gloriosas Ztropas”, nas avenidas principais de uma cidade arrasada, outrora feliz.

 


O enredo ou teia tecida, de certa forma lembra-nos o mito de Fénix, o pássaro de fogo que no momento de sua morte se incendiava para depois das cinzas renascer para a eternidade.

O Modernismo de Marinetti, em Itália, que o fascismo de Mussolini tão bem aproveitou e potenciou, foi também símbolo e inspiração do nazismo alemão e é hoje símbolo do ultranacionalismo imperialista russo. Da destruição total, com a Fénix renascida, sonha-se erigir um mundo novo, totalitário, despótico, autoritário, ariano. Mussolini e os seus companheiros pagaram sordidamente com a vida a intenção. Hitler , para evitar ser julgado e enforcado, suicidou-se e ordenou que seu corpo fosse queimado com gasolina.

Talvez afinal o renascimento tardio destas “fénixes” esteja aí, no Kremlin, incorporado na pele de um antigo agente da KGB, pronto para ensaiar a derradeira ilusão, a de criar a Euroásia, de Moscovo a Lisboa, contra o maléfico – diz ele – espectro do atlantismo que tanto o intimida, assusta e, ao mesmo tempo, fornece os pretextos para os seus hediondos crimes contra a Humanidade.

 

O desfile do 9 de Maio em que se comemora o dia da derrota e da rendição das tropas alemãs, na II Guerra Mundial, é agora ampliado e pretende, falaciosa e abusivamente, incluir e ser o dia da aniquilação da resistência ucraniana, focando-se na humilhação dos “vencidos” e na glorificação dos “vencedores”.

Só que é intempestiva a rotulagem e, provavelmente, nos próximos meses ou anos, ainda estaremos para ver e saber quem são, afinal, uns e outros.

 

(Fotos DR)

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Publicado em Editorial