O Triunfo dos Porcos (“again”)

por Paulo Neto | 2015.06.21 - 12:53

 

A senhora Cristina Lagarde, rosto predador do tenebroso FMI desde 2011 só decide com “adultos” assuntos sobre a Grécia.  Está a chamar de garotos membros legítima e democraticamente eleitos pelo povo grego. Ela que foi nomeada para o cargo que desempenha pelos bons seviços prestados enquanto ministra das finanças (foi ministra de três pastas nos tempos de Chirac e Sarkozy) e esteve envolvida em vários escândalos financeiros sendo o mais polémico o de Bernard Tapie, ex-atleta, ex-autarca de Marselha, ex-presidiário, ex-muita-coisa e actual empresário da CS. Foi constituída arguida e só ao fim de muitos pleitos viu reduzida a pena — sem perder parte da acusação — por suspeitas diversas, no caso Tapie – Adidas – Crédit Lyonais, et all.

É pois uma personagem com muita autoridade moral e legal para ajuizar da maturidade daqueles que não subjuga inteiramente.

Aliás, já o anterior Mister FMI, Dominique Strauss-Kahn foi também mundialmente reconhecido pelas suas grandes qualidades emocionais, morais e legais. Arrastado na lama por estupro e violação de prostitutas, confesso recorrente a “chulos” que lhe angariavam jovens prostitutas para deboches sexuais, trilhou a sua penitência por cadeias e tribunais.

Estranho é que gente deste quilate seja escolhida/nomeada, para lugares de liderança mundial em domínios tão determinantes como os de gestores “do dinheiro do mundo”. Ou será exactamente pelo claro défice de ética, de lisura e excesso de amoralidade e promiscuidade que são escolhidos?

E são escolhidos por quem? Pelos sem-rosto da agiotagem global, clube dos arqui-poderosos mega-milionários que dominam o planeta e que evacuam as normas, as regras, as leis que regulam os mercados que, por seu turno, ferram, como vampiros, os caninos na jugular dos governos dos países mais desfavorecidos, não só da Europa, como do mundo inteiro.

Os EUA têm sido uma peça-chave nos “crashes” sucessivos. Os bacanais consentidos de Wall Street arrasaram a economia planetária. E porém, destroem e aparecem como beatíficos salvadores.

A Alemanha surge como a dona da Europa com seus bancos-prestamistas a abarrotar de euros. Derrotada numa Iª Grande Guerra, espezinhada numa IIª Grande Guerra, aparece agora pouco mais de meio século após como grande triunfadora, não pela luta armada onde foi dizimada, mas arrasando pelo seu poderio económico.

A UE do senhor Barroso fez bem o que lhe mandaram. Agora foi agraciado como substituto do senhor Balsemão, o patrão do maior grupo empresarial de comunicação social portuguesa, com um lugar no clube Bilderberg, a seita dos mandantes, onde Eurogrupos, Tróikas, FMI’s, BCE’s, Goldman-Sachs e etc. aparentam ser plurais rostos da mesma moeda.

Quanto ao senhor Tsípras, eleito chefe de governo grego, acaba de fazer um primeiro acordo de dois mil milhões de euros com o senhor Putín, na área do gás e dos gasodutos. Outros se desenham no âmbito da exportação de produtos agrícolas para a Rússia…

Entretanto, a Europa (qual Europa?) indutora destas atitudes, vem compungida e hipocritamente criticar a Grécia.

Estes gajos têm cá uma lata…!

Pedro Passos Coelho, inconsequente, inconsistente, subserviente, pendular, mentiroso nunca foi solidário com o povo grego. É-o só com os “patrões”.

Portugal, em breve, poderá ter que pedir a solidariedade. Mas de quem?