Ó Tiago vê lá com quem te metes! – 14 anos depois a “oportunidade” da notícia

por Paulo Neto | 2016.05.19 - 12:21

 

 

O actual ministro da Educação entendeu clarificar as águas entre a Escola Pública e a Escola Privada. E muito bem!

Acto corajoso mas com previsíveis consequências. O lóbi é um polvo monstruoso. Os colégios privados, maioritariamente nas mãos da Igreja – directa ou indirectamente – têm também, por mais bizarro que pareça, algum peso (muito ou pouco, não sabemos) de personalidades da Maçonaria portuguesa.

Falamos de centenas de milhões de euros/ano pagos pelo erário público em “contratos-programa”. Uma mina…

Nada nos move contra o ensino privado. Estudámos cinco anos num colégio. Mas pagámos as propinas… Estudámos em três universidades públicas e, na sequência da licenciatura, nunca deixámos de pagar propinas. Fomos 38 anos docentes do ensino público. E 12 anos docentes do ensino superior privado. E até ocupámos cargos directivos.  CV feito voltemos ao tema…  O assunto, aqui, não é público versus privado. Todo o cidadão tem o direito à opção do ensino que quer para os seus filhos ou para si. Mas as opções pagam-se. Certo?

Tiago Brandão Rodrigues afrontou os “poderosos” e vai daí, 14 anos depois, “alguém” ressuscitou o seu orientador de doutoramento – que até parece ser oriundo de Rio de Moinhos, Sátão – para este, a desoras , vir revelar que o ministro recebeu criminosamente duas bolsas de estudo da FCT, sendo uma indevida e no montante de 18 mil euros.

É grave.

Mas o senhor professor esteve calado até hoje porquê? Porque só agora sentiu o lancinante apelo da virtuosa consciência gritado em paragonas mediáticas? De  motu proprio? Ou a mando ou rogo de quem?

Por seu turno, Tiago Brandão diz ter imediatamente liquidado a verba “indevidamente” recebida… há 14 anos.

Mas tal não bastou… pelos vistos, ao douto docente da Universidade de Coimbra – prestigiada e secular instituição de ensino superior público – e com a consciência derreada pelo peso do “crime” do seu ex-doutorando, desobrigou-se, enfim, na opinião pública.

Tiago Brandão sabe quão poderosos são os interesses que enfrenta. Talvez não soubesse é que eles parecem não olhar a meios para atingir seus fins… (maquiavelismo em estado puro? Já sabíamos e desde que um Bórgia foi Papa).

E quando numa pugna um dos lutadores recorre à baixeza da “areia nos olhos”…

Esta atitude tem o efeito de “boomerang” e cai estrepitosamente na cabeça do emissor. Quanto ao receptor – e aqui importa pensar que o principal é a opinião pública – mas e no caso do visado, se há 14 anos prevaricou, cumpre apurar o grau da prevaricação e, prescritos todos os desígnios legais, ser ajuizado à luz da ética, que é a ciência da moral, contexto onde a Igreja tem borla e capelo desde que inventou o pecado.

Finalmente, o senhor professor da Universidade de Coimbra mostrou, tão-somente, que no bom pano cai a nódoa. E aqui, a gritante nódoa, parece ser ele próprio.