O ‘sniper’ da banha-da-cobra

por Paulo Neto | 2015.08.17 - 15:09

A Festa do Pontal, na Quarteira, tornou-se tão simbólica para os social-democratas quanto a da Quinta da Atalaia para os comunistas.

Marcam a dita “rentrée”, o regresso, nesse francesismo precioso. Eu até acho que nem era preciso regressarem. Podiam lá ficar em definitivo, que o clima é ameno e os algarvios são acolhedores. Mas estou a ser injustamente egoísta, pois os habitantes da nossa costa sul não mereciam decerto tal penificação…

Exaustivamente, já aqui escrevemos centenas de linhas sobre a apropriação da linguagem pela classe política, fazendo dela e no seu criado “linguarejar” uma mera ferramenta de propaganda ideológica despudorada.

Nada é o que parece – na boca deles – antes tudo sendo o seu o seu oposto e, mais do que nunca em gradação com o dia do acto eleitoral de Outubro, um mero veículo de transmissão de mentiras e realidades virtuais, repetidas à saciedade e exaustão, para e em modos de tortura chinesa, tentarem fazer a lavagem ao cérebro dos portugueses.

Só assim se explica e compreende – sem se aceitar – o chorrilho de inverdades e o cinismo contido na maioria das mensagens assertivamente estudadas e estratégica e cirurgicamente disparadas como se fosse um sniper atrás de um telhado.

Deixamos aqui algumas transcrições elucidativas… onde e por acaso fala amiúde de “reconciliação”; “castigo”; “punição”; “azedume”; “amargura”; “ressentimento”… tudo o que está residualizado num subconsciente “inconsciente”:

” queremos um resultado que nos permita governar para resolver os problemas das pessoas”  

“que nas próximas eleições o resultado dessas eleições fosse um resultado politicamente inequívoco”  … “um resultado que nos permita governar para resolver os problemas das pessoas e não andar à procura de como é que se resolve os problemas do Governo. Porque se o resultado não for inequívoco, o próximo Governo há-de ser seguramente um Governo cheio de problemas e isso seria um problema adicional para os portugueses”

… a quem pede que decidam “a cabeça e com o coração”, e sem “azedume, amargura e ressentimento, pois os próximos quatro anos são para resolver os problemas das pessoas e não os problemas políticos de um próximo Governo”… “hoje já não é preciso castigar os que trouxeram a ‘troika’. Hoje podemos premiar os portugueses pelo trabalho que eles fizeram e dizer que temos muita esperança no trabalho que ainda vamos ter, nos próximos anos, para todos podermos viver melhor”

“nenhum eleitoralismo para poder servir Portugal e os portugueses”, que devem de “forma mais tranquila reconciliar-se com aqueles que lutaram todos os dias por garantir um futuro melhor”

e etc… e tal.

HAVERÁ BANHA-DA-COBRA DE MAIS FINO RECORTE QUE ESTA?