O que esconde e teme a CGD?

por Paulo Neto | 2016.10.12 - 12:23

 

 

 

Foi criada uma Comissão de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos. Até aqui nada de novo. Porém, a prossecução dos trabalhos tem deparado com problemas vários que se prendem com a divulgação de documentos, absolutamente fundamentais aos trabalhos, mas que a CGD e o Banco de Portugal negam sob o omnipresente pretexto do sigilo bancário.

Aliás, em todas as diversas comissões de inquérito, os inquiridos têm-se “reservado” atrás desse estratagema para calar aquilo que interessa saber aos deputados e, em derradeira instância, tudo o que é justo e curial os portugueses conhecerem, pois, no fundo, são eles que vão levar mais esta bordoada.

E em boa verdade, mesmo com as espaldas negras de sangue pisado de tanta fueirada levar, o Zé Tuga só serve para pagar sem bufar.

Se a CGD os nega, o Banco de Portugal recusa-os… e o bailinho da Madeira a toar.

Para já, a polémica colheu assento no Tribunal da Relação de Lisboa que decidirá sobre a pertinência da justificação do segredo de supervisão e do segredo bancário. Isto até parecem coisas de confessionário de sacristia…

Certo é que vai a caminho uma injeção de 5 mil e tal milhões de euros para colmatar os desaires de sucessivas administrações pagas a peso de platina e com mordomias de ouro.
De outro modo, esta comissão de inquérito, na falta de documentos sustentatórios dos factos, corre o risco de ser mais uma pantomina ou uma manobra de diversão “pour épater le bourgeois”.

Quem tem medo da verdade?

Onde, como e com quem foram gastos tantos milhares de milhões pelo banco público?

Quem são os grandes devedores para além daquela dúzia que toda a gente conhece?

Se a CGD tem 4 milhões de clientes cumpridores, pequenos e médios depositantes, funcionários públicos, emigrante e aposentados, maioritariamente, porque hão de 11 milhões de portugueses pagar as gordas dívidas de um milhar de incumpridores crónicos, nédios de bem cevados?

A CGD vem-nos habituando a ser forte com os fracos e fraca com os fortes, ou melhor, de uma cobardia própria da reiterada subserviência aos grandes devedores, a mando do poder político, manipulador das administrações, aparentemente  de fácil manipulação…

E por falar nelas… que vai acontecer aos administradores e demais quadros superiores com responsabilidades neste catastrófico desaire?

Claro, vão de férias com uma reforma milionária… Paga Zé!