O progresso nas Terras do Demo anda encravado e aos apalpões, meio cego e meio taranta ???

por Paulo Neto | 2014.02.21 - 08:07

Almeida Henriques (1) na sua última crónica semanal publicada num diário nacional, chamada “Terras do Demo,” rematava assim:

 “O desenvolvimento social, cultural e económico do todo nacional é o móbil de uma governação social-democrata. Para que o progresso nas Terras do Demo desencrave e deixe de andar, como dizia Aquilino “aos apalpões, meio cego e meio e taranta“

Aqui, sem muito mais acrescentar, cito George Steiner, in “Linguagem e Silêncio”, Gradiva, 2014:

É absolutamente indubitável que o acesso de semianalfabetos ao poder económico e político acarretou uma grave perda de riqueza e dignidade no plano da linguagem.”

Entenda-se esta asserção no seu mais lato sentido, claro.

Decompunhamos aquele parágrafo pouco escorreito, coxo mesmo, nas suas duas partes constitutivas, para aferirmos estar perante um discurso “concebido para se furtar às exigências do sentido ou para as ignorar ”…

1º Uma governação social-democrata (como qualquer outra) visa o todo nacional. Ou não?

É que dito assim, parece haver uma necessidade de esclarecer, tautologicamente, que poderia só visar algumas partes do território.

2º Sendo as Terras do Demo retratadas no romance de Aquilino as confinadas aos três concelhos de Sernancelhe, Moimenta da Beira e Vila Nova de Paiva, Almeida Henriques está a passar um atestado de incompetência aos autarcas locais, respectivamente Carlos Silva, José Eduardo Ferreira e José Morgado. Com que direito? O que conhece ele dos três concelhos em epígrafe para referir que aí, “o progresso” anda encravado “aos apalpões, meio cego e meio taranta”?

Um autarca sensato não terá muito a fazer no âmbito da sua autarquia? Alguém vê ou ouve alguns dos outros 23 autarcas do distrito de Viseu a criticar os seus pares? Os outros territórios constitutivos do distrito?

Ou será que Almeida Henriques na sua precipitação e ignorância está a tomar a parte pelo todo e a falar das 24 autarquias?

Quando muito, poderia falar na sua e aí, aceitar-se-ia que o progresso ande aos apalpões, meio cego e meio taranta… Mas por uma questão de civilidade deveria especificar estar a falar do seu concelho. Apenas. Até porque não tem legitimidade para mais.

Aceitamos que tenha a competência de se auto-criticar, mas cremos que nenhum outro autarca do distrito lhe terá passado procuração para o fazer, com esta presunção atrevida.

Ou ainda não terá despido o fato de secretário de Estado e se auto suplicia pelo que nunca fez?

 

(1)    Não há actualmente quem mais boutades cometa e mais motivos dê para sobre ele se escrever do que este novo autarca de Viseu. Torna-se saturante. O Rua Direita vai-lhe dar tréguas por um tempo para não fazer dele um Santo Antoninho…