O lodo político

por Paulo Neto | 2014.04.07 - 21:43

 

I.

Salvo raras e muito honrosas excepções, os políticos partidários estão no “métier” não por missão, mas por devoção e dedicação aos seus interesses. Ponto parágrafo.

O Expresso, nesta última edição e seguindo as páginas, traz a falar do BPN nada menos do que:

Pedro Santos Guerreiro, Ricardo Costa, Durão Barroso, Martim Silva, Miguel Sousa Tavares, Fernando Madrinha, “Gente”, Pedro Adão e Silva, Daniel Oliveira, João Galamba… Isto no corpo principal. Na separata Economia há quem volte à carga com o assunto.

É normal.

Anormal mesmo é que, depois de MST chamar “os bois pelos nomes” e usar a palavra “vigaristas” – por exemplo – toda esta cambulhada de implicados e envolvidos neste escândalo, com principal incidência e/ou predominância de ex-políticos, actuais políticos e empresários “laranja”, não seja minimamente beliscada pelas invocadas e provadas relações, ilícitos e mais-valias obtidas, que agora estão a ser pagas por todos os portugueses num astronómico montante em que ninguém consegue acertar, mas que pode ser superior a 8 mil milhões de Euros…

Paga Zé!

II.

A IGAT, Inspecção Geral da Administração do Território é um organismo competentíssimo, com quadros briosos e diligentes, que faz milagres com recursos muito limitados e que os políticos nunca quiseram ampliar de meios para não os virem a “ter à perna”… supõe-se.

E se no distrito de Viseu houvesse alguma autarquia onde empresas privadas geridas por políticos partidários fossem contempladas com vários contratos, por ajuste directo, se tal acontecesse, teria a IGAT meios para investigar?

Se tal acontecesse, não temos dúvidas que sim!

Ainda há organismos credíveis em Portugal.