O Império de Baco

por Paulo Neto | 2015.09.02 - 23:07

 

 

Decerto Baco se sentiria orgulhoso de Almeida Henriques. Com ele, não há carro nem carroça que não publicite o fruto das uvas, festarola sem litradas de briol ou tintol, nem petiz que fique de fora da academia/confraria do Dão, ou o que quer que lhe chamem de acordo com as reacções da opinião pública, aproveitando muito oportuna e  pedagogicamente, como afirma o compadre Zacarias, “uma mão-de-obra grátis e infantil”.

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São estas as pilhérias de um autarca arredio da sensatez, inovador do acessório e pouco cuidoso do essencial.

Para ele, a vida parece ser um arraial de bombos e como “com papas e bolos se enganam os tolos”, lá singra de vela ufana, agarrado como lapa à rocha ao único conceito que, à força de tanta despesa e bacoquice, parece ser o rosto desta baquiana cidade.

Viriato foi destronado e talvez os próximos galardões a atribuir aos cidadãos com mérito sejam um cacho de uvas, um tonel de vinho ou um sátiro embriagado.

 

“O naufrágio da humanidade” foi título e manchete avassaladora mundo afora, com a imagem expressiva e bárbara de um polícia turco com um menino em seus braços, que não chegou à Europa com vida…

Os movimentos fundamentalistas não criam o terror e espalham a morte por acaso. Fazem-no para provocar o genocídio e este êxodo maciço de milhares de refugiados que todos os dias dão à costa do sul da Europa.

Infelizmente é um movimento migratório maioritariamente de seres mortos.

Estranhamente este êxodo não se verifica para outros países árabes onde a riqueza se ostenta ofensivamente. Porque será? Que tenebrosa política de acolhimento aí ocorrerá, na Arábia Saudita, em Oman, no Kuwait, em Catar, no Bahrein, no Yemen…?

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O Outono está à porta, a meteorologia, impiedosa como o mar, fará mais uns milhares de vítimas. E porém, a Europa, o mundo inteiro parece não deter a capacidade de atacar a causa deste apocalíptico efeito que está a mostrar o homo sapiens do século XXI como um troglodita mefistofélico a matar em nome de uma religião, máscara que serve os mais inconfessáveis fins e que de uma parte do globo fez caldeirão onde refervem todas as malsãs iras de uma humanidade cada vez mais imoralmente cínica e abjecta.