O “finíssimo humor” dos sem-piada

por Paulo Neto | 2019.03.18 - 11:56

Toda a gente sabe que o humor é para quem tem qualidade para o fazer. É por isso que verdadeiros humoristas são raros e não há “Araújos Pereiras”, por exemplo, ao dobrar da esquina.

Toda a gente sabe que a ironia não está ao alcance de todos. Tão pouco o sentido das conveniências. Tão pouco a língua portuguesa.

Um semanário local não foi feliz ao fazer de “ceguinho” Fernando Ruas – até o diminutivo é ofensivo, ou será só um desejo carinhoso? – a ser guiado por Almeida Henriques, ciceronando-lhe as obras que este faz e aquele não vê.

Almeida Henriques é também vítima deste “humor”, não tendo a ver com quem o faz.

A cegueira é uma deficiência visual terrível para os seus portadores. Fazer da cegueira instrumento de brincadeira e de ficção política barata, não é sensato. Nem educado. Nem correcto. É só pires.

Os limites entre o humor e a ofensa são ténues. Por isso, poucos são humoristas.

Fernando Ruas tão pouco merece esta chacota. Talvez por ter deixado de ser presidente da Câmara de Viseu; por ter deixado de ser eurodeputado; talvez por não ser fértil fonte de publicidade paga… talvez por isso o creiam esvaziado de poder.

Fernando Ruas já foi combativo. Terá perdido essa combatividade e, curiosamente, é o próprio periódico onde perora que o faz de “ceguinho”.

Quem o viu e quem o vê…