Mas… isto é um Governo sério?

por Paulo Neto | 2015.01.29 - 10:59

 

Um amigo meu foi levantar no prazo legal os parcos PPR que conseguiu aforrar fruto de muitos sacrifícios e para acorrer a uma situação grave de saúde que o estertorante SNS não cobriu.

Para sua surpresa e não obstante apenas ter usufruído, de 2% ao ano, o Estado ainda foi saquear 17,4% dos magros juros. Antes debaixo do colchão…

O compadre Zacarias carpia-se amargamente da lavagem com que a “porca do Estado” se cevava, tirada às reformas dos aposentados. Sobre o ilíquido o IRS comeu-lhe 20%. A seguir cortou-lhe mais um naco na rubrica “retenção de sobretaxa de IRS”; depois vieram os “subsistemas de Saúde-AP” (?) e foi mais uma “ratada”; finalmente a famigerada “Contribuição Extraordinária de Solidariedade – AP” ainda se chegou à frente. Contas arredondadas, lá foram ao ar aproximadamente 10.000 €… Até dá gosto contribuir para este peditório!

Quando lhe retorqui que o “sacrifício imposto era para sairmos da crise”, violento e irascível como é, atirou-me com um cinzeiro cheio de “ticas” à cabeça e arremessou-me uns impropérios “intraduzíveis”…

 

De resto, agora que somos todos abundantemente saqueados, depois de todas as vergonhosas privatizações dos bens públicos, Passos&Portas, vão vender o restante património: 60 quartéis, ex-hospitais e etc., estão já nas “imobiliárias” para serem vendidos, ou em hasta pública ou por ajuste directo, caso não haja interessados.

Desde o Hospital da Estrela ao Castelo do Queijo, a Quinta Nova de Queluz, o INEM na Ajuda, a Bataria da Raposeira, na Costa da Caparica, o Quartel de Coina, no Barreiro, parte do Quartel dos Sapadores, em Lisboa, Palácio e Quinta da Alfarrobeira, em Lisboa, residências no Forte do Alto Duque, Lisboa, a Casa da Bomba, no Castelo de S. Jorge, em Lisboa, o Bairro Operário da Manutenção Militar, em Lisboa, Prédios na Rua da Junqueira, em Lisboa, terrenos do Posto Marítimo na Foz do Arelho, o Forte de S. Gonçalo, em Oeiras, o Palácio e Quinta de Caxias, a Bateria do Torneiro, em Paço de Arcos, o Posto de Observação do Gripo Tejo, em Oeiras, o Quartel da Azeda de Baixo, em Setúbal, a Posição da Espalamaca, na Horta, etc., etc., etc…

Mas entretanto já foi vendendo e amealhando de outros bens, como as OGME (71.816 metros2) por 46,5 milhões… e é sempre a andar.

Entretanto, a GNR, perante a venda de instalações ocupadas como o Quartel de Sá, em Aveiro onde está instalado o Comando Territorial da cidade, o Quartel da Lapa, na Figueira da Foz onde funciona um dos seus centros de formação, o Quartel de Penafiel, o Paiol e o Posto de Tavares, em Lisboa, porque não foi posta ao corrente da situação, porque algumas dessas instalações são de grande importância para a força de segurança, porque não tem alternativas para a sua substituição, além de muito perplexa com a forma como o ministério da Defesa conduziu o processo, em segredo, exige explicações sobre a matéria. Far-lhe-ão um “manguito”, por certo…

E pronto, eles prometeram vender Portugal… e vão conseguir.

Deixo três sugestões:

Residência do Iº ministro; residência do presidente da República e Assembleia da República, edifícios de reduzida utilidade que podem atingir bons valores e, segundo o Compadre Zacarias, a sua conhecida, senhora Li Jin Xanadu, (traduzido à letra = solidez do ouro opulento), empresária da área dos bichos-da-seda, já mostrou um particular interesse no Palácio de S. Bento.

Hasta pública com ele!