Mas hoje a Renata faz anos…

por Paulo Neto | 2016.02.06 - 10:42

 

Por uma qualquer defesa do subconsciente nunca decorei as datas de aniversário de ninguém. Nem a minha. Lembrava-me quando recebia um ou outro telefonema de um familiar ou amigo mais próximo…

Se fazer anos é o redundante sinal de que ainda cá andamos, é também o enfático aviso de que cada vez cá andaremos menos.

Razão tinha a minha Mãe Rosa que a partir dos 55 anos se recusou a fazer mais anos, vindo a finar-se quase trinta anos depois da insólita quanto estóica decisão. Na sua doce candura, com a sua bizarra atitude pensou deter a inexorabilidade de Cronos…

Sobre os aniversários daqueles a quem o afecto nos liga sempre tive alguém por perto a avisar: “Hoje faz anos a tua tia… Faz favor de lhe telefonar!” E eu, obediente bom rapaz, pegava no telefone (ainda não havia telemóveis) e dizia: “Querida tia! Mas que grande dia! Receba um abraço amigo deste sobrinho que nunca se esquece de si e tenha um dia muito feliz. Logo erguerei a taça de champagne à sua saúde!”. Estas fórmulas ocas fazem parte da nossa representação social e estamos todos devidamente formatados para as cumprir com gloriosa lembrança e decente representação .

Talvez por saber essas coisas todas, o impagável Facebook, nosso parente mais próximo, tomou a peito a decisão de não nos deixar esquecer das mais básicas obrigações sociais. Se todos os dias nos manda lembretes com os eventos do dia onde deveríamos estar presentes, também nos alerta dos aniversários de todos os nossos amigos, conhecidos, inimigos, familiares, reais e virtuais…

 

Toda esta ejaculatória porque hoje a minha sobrinha mais nova, a Renata, faz 30 Fevereiros…

Ficaria bem aqui escrever: “Ainda ontem andava contigo ao colo!”, mas não passaria de uma frase sem sentido, que são 80% das frases que proferimos no nosso dia-a-dia.

Digo-te antes que fico contente por estares nos teus 30 anos, em plena pujança física de tua vida, assunção e realização profissional e a “curtirmos”(os dois) um afecto que vamos gradualmente consolidando nas cumplicidades do quotidiano.

E digo-te ainda — em jeito de ameaça — que vou almoçar contigo a Aveiro e levo um queijo da Serra das ovelhinhas bordaleiras de Mangualde e um espumante bruto Castelo d’ Azurara, para logo beberes com os amigos da tua idade.

Parabéns, minha querida! E estes não são de circunstância… são também para recuperarmos tempos perdidos.

 

Nota: Este Edit é para homenagear quem gosto e desenjoar da política! Um direito que me assiste.