Macumba de político… ou coxo mas ágil

por Paulo Neto | 2015.08.13 - 23:30

Não sou supersticioso, até gosto do número 13, de gatos pretos, não temo olhares envesgados, guarda-chuvas abertos dentro de casa, dormir com os pés para a porta, espelhos partidos, missas de 7º dia ou passar sob escada abertas no passeio, mas hoje… além do acre odor da terra queimada, no ar flui onda antipática que me bule com os nervos.

 

Comecei a fazer longas caminhadas para me dessedentarizar, como é moderno dizer-se. Para ficar mais ágil, conjecturei esperançoso…

E realmente, perdi uns quilitos que nenhuma falta me fizeram, fiquei mais ágil como pretendido, mas, paradoxalmente, fiquei coxo da perna direita. Tornei-me assim um coxo ágil o que, se é estranho de escrever, é doloroso de sofrer.

Penso, nas minhas singelas elucubrações, que os músculos pasmados se irritaram, enervaram e infectaram. O diagnóstico é delgadinho mas a patologia vem engordando.

Crente e com fé neste avelhantado corpo que porfiado há anos agrido e ofendo, é de meu lúcido entendimento que a maleita tem causa de “mau-olhado”.

Não sei se a senhora Bruxa das Cadimas deixou descendência à altura da conceituada e merecida fama, mas da próxima vez que for ao Sátão, desvio-me pelo Ladário e vou saber se ainda há consultório de porta aberta e esotérico acolhimento franco.

Toda esta conversa vale bem o esforço contido: o de não falar de política nem de políticos, locais, nacionais ou globais. A silly season (raio de nome!) permanece inalterada na sua pacatez. Entre conferências de imprensa atarantadas e revitalização zen para o calçadão da Quarteira ou Pontal, deliciado, um meio de comunicação social “prestigiado” assegurava ontem que Passos Coelho era “um dos políticos mais sexy do planeta.”

Só faltou mesmo, por tanto tantos ter “lixado”, darem-lhe assento no Top10 dos padreadores PSL (não, não é Pedro Santana Lopes, é mesmo Puro Sangue Lusitano…).

Ai, que me dói… Só pode ser macumba, candomblé, mironga, catimbó, gunga, umbanda, augúrios de cumas ou figas de má sibila… Ou todos à vez!