Hélder Amaral está arrumado?

por Paulo Neto | 2017.07.31 - 15:11

 

 

Talvez seja um pouco prematuro afirmá-lo. Porém, enquanto líder distrital do CDS-PP e figura de proa deste território na Assembleia da República, as parcas notícias que nos chegam não são muito optimistas nem consolidadoras do futuro político deste histórico protagonista.

A poucos dias das autárquicas ainda não se conseguiu ouvir o nome de uma personalidade relevante para qualquer autarquia, um só cabeça de lista que tivesse algum impacto, não obstante,  sabendo-se já que houve enredos mal urdidos em alguns concelhos, como foi o caso de Lamego onde, e por caturrice de quem manda – desde o PSD ao CDS – atiraram para o regaço dos socialistas a câmara local. O Borges agradece…

Noutros concelhos, onde não conseguiram arranjar ninguém, associam-se a movimentos autónomos ou a candidaturas independentes, enrodilhados em discursos de circunstância para justificar o descalabro de “aspirantes” a que chegaram E os poucos que ainda vão aparecendo, dando o peito às balas, ou o fazem por ávido protagonismo, sujeitando-se a expor facilmente numa arqueologia de superfície a fragilidade dos seus telhados de vidro em passados próximos ou, vão à luta para daqui a uns tempos, no rotativismo partidário português, serem “fulanos(as)” lembrados para o desempenho dos bons lugares de nomeação política.

Hélder Amaral – e nem quero trazer para aqui meia dúzia de frases anchamente pronunciadas quando o entrevistámos por duas vezes aqui há uns anos – deixou de ser um político aguerrido. Pôs-se de cócoras com o PàF, deixando de ser oposição credível, por exemplo na Câmara de Viseu – onde se fez alguma figura, ao seu substituto das horas más o deve, ao Vítor Duarte, esse sim, um político com missão.

Demissões de concelhias à mistura – façanha onde o PS ainda dá cartas – prenunciam maus augúrios num futuro próximo. E decerto haverá quem esteja disposto a levá-lo em ombros, mas à ara da imolação, quando a maioria já nem a isso se dá ao trabalho, tendo-lhe definitivamente virado costas.

Também as recentes posturas de Hélder Amaral no congresso do MPLA, em Luanda, foram “marcantemente infelizes“, naquilo que oportuna e sabiamente designou como “saber ler os tempos, os sinais, adaptar-se e actualizar-se”, descobrindo nos democratas-cristãos “muitos pontos em comum” com o MPLA de José Eduardo dos Santos. Provavelmente, num arroubo afectivo por voltar à sua terra natal como “primus inter pares”, ter-se-á deixado levar pela emoção…

O CDS-PP no distrito de Viseu vive o dilema da orfandade em concordância com a síndrome do pequeno poder. Com um líder de carisma perdido, ausente, pouco empenhado senão ciclicamente nos momentos da inevitabilidade de ir à luta, apegado ao poder partidário como uma lapa à rocha, Hélder Amaral faz já parte dos a-prazo, dos derrotados, daqueles em que só meia dúzia de “desempregados” partidários ainda e por ora se revê.

Por quanto tempo?

 

(foto DR)