Haverá um acordo rubro-laranja em Viseu?

por Paulo Neto | 2013.12.29 - 00:00

Por inúsita que pareça é a questão que se coloca face aos resultados/votações ocorridos na última reunião da União das Freguesias de Viseu, a 27 de Dezembro passado.

A história conta-se em três penachadas: O PSD ganhou a União das Juntas de Freguesia de Viseu, nas últimas autárquicas, elegendo 9 elementos, capitaneados por Diamantino Santos, ex-presidente da JF de Coração de Jesus. O PS elegeu 6, tendo à cabeça Alexandre Azevedo Pinto. O CDS/PP elegeu 2, com Jorge Azevedo à frente. O BE e a CDU elegeram 1 elemento cada, respectivamente, Luís Lopes e João Serra.

O resultado de 09-10 não deu a maioria ao PSD. Havia que encontrar aliados. Desde Outubro que Diamantino Santos tem feito o seu papel de tentar conquistar o apoio do PS, o que não conseguiu e lhe daria 15 votos. Em alternativa, o apoio do CDS/PP dar-lhe-ia 11 votos. Mas foi em vão. Terá tentado acordos com o BE e com a CDU sem, aparentemente, qualquer sucesso. Deste desenlace previa-se uma dificílima situação, pois até o Orçamento Anual carecia de um destes tipos de consenso, sem o qual nunca seria aprovado.

Perante este cenário aguardava-se com alguma expectativa a reunião do dia 27. Porém, como numa “pink story“, houve um “happy end“…

E por mais palavras que agora se possam ouvir, os actos, inequívocos, falam mais alto e por si. E eles são:

Na votação e perante o vasto conjunto de dúvidas surgidas quanto a vários itens do Orçamento, não claramente explicitados, o PS votou contra. O CDS/PP também.

João Serra, da CDU, por seu turno, esteve comoda e inexplicavelmente ausente, podendo e de acordo com os Estatutos fazer-se substituir/representar, se fosse caso de força maior.

O BE, pelo voto de Luís Lopes, ao abster-se, talvez por uma réstia de pudor em votar a favor, veio mostrar o que já havia quem há muito referisse: a esquerda “filet mignon” funciona com imprevistos de última hora, numa coerência bizarra que nas próximas eleições terá que ser recordada e a desacreditará irremediavelmente.

É que, com esta estranha e inesperada abstenção de Luís Lopes, mesmo que João Serra estivesse presente e votasse contra, haveria um empate de 09-09, que colheria decisão a favor do PSD pelo voto de qualidade que detém. João Serra ao não comparecer fez sorrir o compadre Zacarias que logo sentenciou: – Meteu o artº 4! Aquele que no Ensino foi criado para contemplar as senhoras professoras no seu estado mensal “interessante”…

A não ser que João Serra tenha justificação mais cabal que a aludida, ao escusar-se e pela ausência a votar o presente Orçamento, perdeu o rosto e a razão para aparecer futuramente em qualquer credível acto ou retrato.

Perante este resultado, casmurro como é, o compadre Zacarias rematou:

– Eu não dizia? Estes gajos não são de fiar, iguaizinhos ao Coelho, uma pregação no púlpito, outra na sacristia!

A ter em mente, no futuro… pois o Povo tem memória e sabe que é com actos que se constrói a História, mesmo que seja apenas a “estórinha” da Junta de Viseu.

Entretanto, louvamos o PSD que se vai afirmando na praça. Não por vitalidade ou competência própria, mas sim por tibieza e frouxidão de alguns dos seus adversários políticos.

Se ainda houver vergonha, há gentinha que deve pintar a cara de vermelho. Ou se a cor lhes for ofensiva, sair à rua com máscara, como no Entrudo…

A título de mera curiosidade, foi assim aprovado o Plano Plurianual de Actividades e este orçamento Anual, que é de 764.643,00€. O anterior, das três Juntas, foi de 459.998,71€. Uma diferença da ordem dos 60%.

Há alguns itens difíceis de compreender, por exemplo que a rubrica Questões Sociais seja contemplada com 25.000,00€, enquanto na rubrica 07.01.06.02 Outros, surjam 30.000,00€ para despesas de capital (o tal automóvel, ao que foi referido); na rubrica Outros Serviços (não exemplificados) caem 38.000,00€; em Instituições sem Fins Lucrativos (quais/critérios?) 30.000,00€; para Despesas de Representação 6.800,00€ (de quem?); para Subsídio de Transporte (como, porquê?) 2.400,00€; para Prémios, Condecorações e Ofertas vão 5.500,00€… etc., etc., etc…

Já quanto aos salários a auferir nada conseguimos clarificar, apenas que o Executivo é composto pelo Presidente que não sabemos se está em regime de exclusividade ou se acumula com o lugar de professor do ensino básico, ou outro qualquer de nomeação política, mais o dos 6 vogais que constituem seu staff…

Como podemos constatar e concluir, esta fusão das freguesias poupa muito dinheirinho ao erário. Não poupa?

Em suma:

Se calhar o BE e a CDU deveriam mandar ler alguma coisinha aos seus inefáveis elementos da Junta de Viseu, do tipo “História e Consciência de Classe”, do Georg Lukács… aconselha o compadre Zacarias. Nós, aqui, recorremos ao vetusto e respeitável Carl Marx, in “18 Brumário de Luís Bonaparte” – “A História acontece primeiro como tragédia e depois repete-se como farsa.”

Talvez seja por atitudes como as ora aqui configuradas, que se perceba, no geral, as intenções de voto apresentadas ontem em estudo do i/Pitagórica que avaliou, entre os dias 10 e 15 de Dezembro, as intenções de votos de alguns portugueses, “tendo revelado que 36,7% votaria no PS, caso as eleições legislativas se realizassem neste momento. Em segundo lugar surge o PSD com 25,7%, tendo recuperado dos 23,7% angariados em Outubro. Ainda dentro da Maioria Parlamentar, o CDS-PP também melhora nas intenções de voto, passando de 8,1% para 9% em Dezembro. Já no que toca à ala da esquerda, o PCP é o único partido a baixar nas intenções de voto, obtendo 11,2% e aproximando-se, assim, do resultado mais baixo de 2013. No fundo da tabela do último barómetro do ano, surge o Bloco de Esquerda, que não ultrapassa os 6,3%.”