Há três coisas que detesto num café…

por Paulo Neto | 2016.10.10 - 12:28

 

 

Não sou dado a cafés, tabernas ou salões de chá. Mas respeito quantos o são. Porém…

… Chegar, sentar e pedir a bica e constatar que os 4 jornais da casa foram todos arrebanhados pelo mesmo figurão do costume, um ocioso aposentado que a troco de 60 cêntimos se actualiza paulatinamente no fluir lento da sua temporalidade egoísta e recessa;

… Estar a ouvir, na mesa do fundo sentado, o jovem-faz-de-contas-que-é-executivo-de-qualquer-coisa a falar ao telemóvel para toda a gente nos arredores ouvir como é determinado, assertivo, duro, implacável, enfim, um quadro superior de botequim, provavelmente no seu estrénuo monólogo contumaz com o aparelho desligado;

… Aturar as criancinhas que vão com as enfastiadas mãezinhas encontrar-se com as amiguinhas e, muito simpática e salutarmente correm por ali afora como se estivessem no Parque Aquilino Ribeiro, mostrando a sua debordante energia e provando que dos pulmões estão muito bem de saúde, enquanto suas amaviosas progenitoras saboreiam o seu “cigarro lânguido”, comem a sua apetitosa e vitaminada bola de Berlim e aconchegam a cusquice com a mãozinha pálida na boquinha rubra, junto ao brinco da “colega”, que estremece de gozo.

Pronto. Ninguém me manda ir ao café… mas qualquer dia fico um eremita integral, em casa, a beber xícaras de café de saco frio, com o tablet na mão esquerda e o Pamuk na direita, “estrabizando” a acentuada miopia nesta crescente intolerância a quase tudo o que bule com esta minha crescentemente associal forma de estar e encarar este micro-mundo que me rodeia.

cafe

Culpa deles? Decerto que não! Culpa minha que estou um “cota chato”…

Vou divertir-me na net a ler as últimas do Trump, do Passos Coelho e da Cristas, os únicos que ainda me fazem arreganhar as caídas comissuras labiais.