Há dias azarados…

por Paulo Neto | 2015.07.25 - 18:19

 

 

Logo de manhã fiz uma amolgadela num velho veículo de especial estimação. Nada de grave, além da beliscadela na auto-estima e no pára-choques…

Entretanto, as minhas 5 cautelas da lotaria — que querem? ouvi dizer que há pequenas ilhas no mediterrâneo à venda… — estavam mais brancas que um vestido de noiva antes do matrimónio.

Ao fim de almoço fui ao supermercado fazer as compras do mês. Com o carro cheio esperei penitente no fim de uma longa fila até que a hora milimetricamente certa permitisse um reforço de caixa. Lá fui na esperança de sair dali asinho. É o sais! Depois de encher a passadeira com os meus lineares metros de mercearia, a caixa não conseguiu convencer o sistema a abrir. Erro para trás, erro para diante, ineficaz apoio informático, telefonemas para a central e da central para a local… e nada. Palmadas no puro estilo pandeireita ou adufe e a “coisa” não acordou. Entretanto, tinham-se escoado 20 longos minutos. A fila cresceu, cresceu… uma caixa-SOS abriu, e eu, impávido mas não sereno, aguardei até que aquela boa gente se convenceu de que a “toque” ou pancada só funciona mesmo nos filmes.

Recusei-me a repôr as compras noutra passadeira. Chegaram reforços e, finalmente pude pagar, constatar que 25,4€ eram de IVA para o Coelho fazer campanha eleitoral e, a remoer salvé-rainhas para não cair no bom vernáculo português da Ribeira, lá consegui regressar ao cais de partida.

Ligo o computador e surge-me logo a carantonha de gato-pingado de um tal de Montenegro (tenho que ir ao google ver onde fica…) a dizer com um ar seriíssimo, sisudo, sem se rir nem sorrir, compenetrado da mensagem que “A vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor.”

Estou para aqui a ruminar nesta asserção de 14 palavras há 28 minutos e, não obstante ter sido dezenas de anos professor de Língua e de Literatura Portuguesa, não adrego a descodificá-la. Talvez seja no tal dialecto do Orwell, em “1984”, a “novilíngua”… na qual estou ainda nas primícias.

Depois, enfim, para alindar um pouco este bouquet murcho e desgracioso, lá ouvi em remake, um jovem chamado Rodrigo Rivera, do BE — acrescentaram a filiação como se fosse pecado capital —  perguntar ao “primeiro”, na TVI:

“O que fiz eu de errado para acordar do lado errado da realidade, que não é o seu lado?”

E como os jovens não falam como os políticos, percebi à primeira o grande desconforto de Passos Coelho que deveria ser apenas questionado por interlocutores “filtrados”…

 

São 18h21… já percebi quão aziaga vai a jorna. Nem me atrevo a ligar a televisão com receio de deparar com os Flinstones ou com o professor Cavaco. Yabba dabba DOO! para ambos.

A solução é dobrar a dose de xanax e acordar depois da meia-noute, que já é outro dia.

Apre!