Governo de Costa começa a asnear

por Paulo Neto | 2016.12.11 - 11:54

 

 

Provavelmente para fazer um agrado a um lóbi “amigo”, para arranjar uns biscates para os centros de formação e/ou escolas de condução, vem agora a formação para renovação da carta de condução aos 65 anos.

Ler aqui:

http://www.jn.pt/nacional/interior/revalidar-carta-aos-65-anos-so-com-formacao-5544138.html

Curiosamente, esta faixa etária é pouco significativa na sinistralidade rodoviária.

Peregrinas, estas ideias, teve-as aos “montes” o último líder socialista. O fim da história todos o conhecemos.

Faz-me lembrar o curso de aplicadores de fitofármacos tornado obrigatório pelo ministério de Cristas, celeremente implementado para e depois, o obsoleto ministério da Agricultura, descobrir que havia milhões de cidadãos que cultivavam uma horta, um canteiro e que não podiam comprar um mero insecticida sem o “diploma”, entupindo as anquilosadas draps desse país fora.

Como as renovações das cartas de condução, que estão completamente “afuniladas” nas antigas direcções de viação e agora passarão a ser renovadas nos notários e etc., para agilizar, como se diz…

As “vítimas” escolhidas são desta feita cidadãos que aos 65 têm de renovar a sua licença. E então, umas luminárias anedóticas do ministério não-sei-das-quantas, entenderam que devem fazer formação para o efeito. Qualquer dia, até para se reformarem aos quase 67 anos têm que ir para a “escolinha”… Este país não é para velhos!

Nós até sabemos que somos um país com uma franja significativa de “agentes” a viver à custa da formação e a “sugar” avidamente os milhões de Bruxelas. E porém, embora curiosamente, existam associações industriais, por mero exemplo, desde meados de 80 a receber milhões para o efeito, não se vêem melhorias no aumento de produtividade do sector. Mas isso é outra conversa…

Neste caso,  a inteligente tutela do MAI e o Einstein frustrado que congeminou a medida, ainda não pensaram que são centenas de milhares de “vítimas”, a serem uma vez mais esportuladas dos seus magros teres – uma espécie de novo imposto – para eventualmente engordar uns amigalhaços com mais uma “treta” de faz-de-contas, gerando perda de interminável tempo e de dinheiro, com formadores feitos a martelo e com um cap de circunstância, que lerão a cábula antes de ficarem habilitados,  entupindo de novo as incapazes delegações, sem RH para o efeito, com bichas de dia inteiro, por esses corredores fora dos IMT.

Esta medida vem do Plano Estratégico de Segurança Rodoviária (Pense 2020), que responde ao Ministério da Administração Interna e à Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. E por lá também descobrimos isto, para quem quiser aprofundar…

“O Plano Estratégico Nacional de Segurança Rodoviária PENSE 2020 está também disponível em www.ansr.pt, e os contributos podem ser enviados para o endereço de correio eletrónico pense2020@ansr.pt.”

Entretanto no JN e para fazer sensação, o jornalista que rabiscou a notícia terá ido ao arquivo ou ao google buscar a fotografia que sustentasse a “calamidade” que são os condutores de 65 anos, mostrando um acidente aparatoso. É uma técnica infelizmente muito em voga. Teve azar, além de leviandade do acto.

Uma leitora atenta deixou o seguinte comentário:

“Esta foto é muito conveniente para a notícia! Realmente! Este acidente foi recente na zona da Maia e faleceu um senhor com mais de 65 anos e a esposa ferida gravemente, e ainda, mais uns quantos feridos ligeiros, só porque um parvalhão com muito menos de 65 anos se lembrou que a estrada devia ser só dele!”

Senhores responsáveis, tenham juízo e não estraguem a vida de quem trabalha e vos mantém, com legislação mal-esgalhada e para servir estranhos interesses.

Pessoalmente, nos meus 60 anos, com carta de condução há 4 décadas, sem acidentes nem multas, fazendo milhares de quilómetros por ano, vendo na estrada as maiores aberrações, desde os pisos à sinalética questiono-me: porque não dar formação a estes politiqueiros de fim-de-semana?

Uma sugestão de entre muitas: tirem os impostos sobre os veículos novos, de mais de 100% nalguns casos, e assim, talvez os portugueses circulem em automóveis mais seguros – que infelizmente não podem comprar – num país onde a média de idade do envelhecido parque automóvel é de 20 anos…

A cabeça, além do penteado, serve para pensar. Já tinham dado conta? Esta sim, era uma forma séria de diminuir a sinistralidade viária. Mas não dá jeito, pois não?

Acorda, Costa!

 

(foto DR)