Expedientes de chico-esperto

por Paulo Neto | 2014.02.19 - 12:47

 

Sou cliente da Fnac desde que abriu o Centro Comercial Colombo, em Lisboa. Na altura, comprei lá todas as publicações estrangeiras – e foram muitas – que a minha dissertação de tese requereu. Fui frequentemente posto perante verdadeiras peripécias empreendidas para me descobrirem, com êxito, edições já há muito difíceis de encontrar, tanto em França como na Bélgica.

Habituei-me a “eles” e ainda hoje estou fidelizado por um serviço de outrora profissionalmente bem cumprido e por um serviço actual bem desempenhado por parcas 2 ou 3 funcionárias da Fnac-Viseu.

Porém, agora e perante a caducidade iminente do meu cartão, recebi uma cartinha do “apoio ao cliente cartão Fnac” a dizer que o banco BNP (estas siglas são tão arrepiantemente estranhas…!) está “encarregue” de proceder à cobrança da quantia de 15 € para “pagamento da comissão de adesão” (…) “programa de fidelização Fnac”.

Enfim, a Fnac vende livros mas nunca foi muito ágil a escrever. Talvez por serem belgas…

A questão é esta: sou um cliente fundamentalmente de livros; para beneficiar dos 10% na sua aquisição tenho que “comprar” um cartão que custa 15 €, ou seja, a comissão dos próximos 150 € de aquisições… Não é o dinheiro. É o acto que nauseia!

E porém, ninguém me obriga. A atitude esteia-se na força psicológica de uma rotina instalada. É claro que em qualquer momento posso cancelar a adesão ou então, meramente, mandá-los dar uma voltinha demorada à Grand Place de Bruxelas…

Entendo esta postura como um expediente primário e tosco para extorquir dinheiro aos clientes. Onde entram bancos existe geralmente uma cupidez e agiotagem inerentes. Mas eu, da Fnac e pela quinzena de anos (ou mais) como cliente fiel, esperava outra lisura nos procedimentos, mais respeito por quem é a sua essência de existir e maior profissionalismo dos seus dirigentes.

Afinal… são todos grosseiramente iguais. Farinha do mesmo saco!