Eu também queria…

por Paulo Neto | 2015.01.01 - 23:47

(…)

Queremos que a paz esteja com os homens não só agora.

Queremos que o esforço de concórdia entre os Povos seja permanente.

Queremos que a solidariedade e a partilha sejam mais fortes nesta época do ano, mas que permaneçam activas ao longo do tempo.

Queremos pensar nos mais frágeis e vulneráveis: as crianças, os desempregados, os mais velhos.

Queremos evocar todos os Portugueses das Comunidades da Diáspora que, por muito longe que estejam, têm sempre os seus e o seu País no coração.

Queremos deixar uma palavra amiga, de coragem e de esperança, confiantes de que saberão vencer as dificuldades.”

(…)

 

Afirmou Cavaco na sua mensagem de Natal. Usou a 1ª pessoa do plural porque devia ser também o desejo de sua esposa Maria, ao lado.

Além deles, também 10 milhões de portugueses queriam.

Talvez com excepção do governo que Cavaco acarinha e apoia.

É bom querermos tanta coisa boa.

Era bom querê-las para além das palavras.

Nos actos.

 

Hoje, com a bandeira à direita, o passepartout da praxe e familiar à esquerda, com um ar crispado, cansado, um tom ofegante e uma fisionomia algo asiática, ouvimos aquilo que nos pareceu ser um discurso eleitoralista e prenhe das vacuidades costumeiras servidas em porcelana cliché

 

“A democracia consolidada e o pluralismo; as soluções que sirvam o interesse nacional; estratégia orientada para as exportações; atracção do investimento; criação de emprego; vencer os desafios do futuro; controlo das contas públicas; um longo caminho a percorrer; diálogo entre as forças partidárias; 2015 ano de escolhas decisivas; participar nas eleições; colocar o interesse nacional acima dos interesses partidários; evitar crispações e conflitos artificiais; desenvolver uma cultura política; rejeição do populismo; pedagogia democrática; transparência, responsabilidade, civismo; cuidado nas promessas eleitorais; clima de facilidades; disciplina orçamental; sustentabilidade da dívida pública; rigor e transparência na classe política; combate à corrupção; não devemos desanimar nem cultivar o pessimismo; olhar o futuro com confiança renovada…

(Aqui já passei pelas brasas uns minutinhos…)

a economia está a crescer, a competitividade melhorou; o desemprego diminuiu…

(Perante tanta “labieta” adormeci de novo. Que querem? O organismo tem auto defesas!)

Os fundos são um trunfo; compromisso; diálogo, diálogo, diálogo…

(baaaaaaaaahhh)

Não é só no dia a seguir às eleições que se constroem soluções, soluções, soluções….

(grrrrrr, grrrrrrrrrr, grrrrrrrr)

Esperança, Esperança, Esperança, Esperança…

grrrrrrrrrrrr

grrrrrrrrrrrrrrrrrr

Esperança, Esperança, Esperança, Esperança, Esperança…

grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr…

Esperança, Esperança, Esperança, Esperança, Esperança, Esperança…”

grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr…bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz…