Eu sou uma chorona…

Aqui deveria entrar o ponto final, não fora a intervenção da solidária e talvez também comovida deputada do PS, Isabel Guerreiro, a solicitar apagar a intervenção do deputado da IL e retirar esse momento da gravação.

  • 15:26 | Quinta-feira, 29 de Setembro de 2022
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Pelos reiterados “incidentes” fortalecemos a ideia inicial, que vem desde o tempo que antecedeu a sua entrada na CCDR-c, e o seu processo com o então presidente Pedro Saraiva, de que Ana Abrunhosa é mais um dos erros de “casting” de António Costa.

António Costa, que está quase com o belo “score” de uma polémica por semana. Bem sabemos que as controvérsias animam as abulias sanguíneas e, por vezes até, geram o “brainstorming” eficaz para a prossecução de projectos. Mas… o que é de mais é moléstia.

O ser e o parecer há séculos que se apresentam como lema, após o imperador Júlio César o ter transmitido a sua mulher Pompeia . “À mulher de César não basta ser honesta, é preciso parecer honesta.”


Também a todos aqueles que são servidores e gestores da res publica urge estar a cima de qualquer suspeita ou, mesmo que não sejam ilegais, acima de atitudes eticamente questionáveis. Evidentemente, que de forma alguma se questiona a honestidade e a integridade da ministra. Apenas estas “petites gaffes”.

Na audição parlamentar, talvez a emotividade a tenha levado à comoção e a proferir a frase, “Eu sou uma chorona”. Talvez. A fazer lembrar outra ministra do PS, Maria de Lurdes qualquer-coisa que, no parlamento, ao ser confrontada com pedido de esclarecimentos que não teve a capacidade de dar, se comoveu também e, expressivamente choramingou.

E contudo, nada existe de “pecaminoso” no choro. Pelo contrário. Até de alegria se pode chorar, sendo mais comum, chorar-se por sofrimento, perda, mágoa, dor.

Ana Abrunhosa havia cautelarmente requerido parecer à PGR sobre o assunto. A PGR considerou nada haver de ilegal no facto do seu marido ter obtido fundos europeus num montante superior a 130 mil euros, para uma empresa sua.

Aqui deveria entrar o ponto final, não fora a intervenção da solidária e talvez também comovida deputada do PS, Isabel Guerreiro, a solicitar apagar a intervenção do deputado da IL e retirar esse momento da gravação.

Ademais agravado por ser a mesma deputada advogada e membro da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos Liberdades e Garantias.

Há momentos infelizes, a Censura implícita a esta atitude é lamentável. É também lamentável que estejam a vir à tona de água, recorrentemente, polémicas isoladas e, no fundo, de lana caprina, mas que põem em causa a credibilidade de um governo maioritário, que não consegue ser síntono e sínfono nas posturas e atitudes dos seus membros.

 

(Foto DR)

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