Esta paixão da Senhora Câmara pela Educação…

por Paulo Neto | 2015.06.14 - 10:20

 

Há autarquias com uma especial predilecção por festas. Não pelo ludismo ou gáudio comportados. Apenas porque as festas, como as manif’s e feiras juntam muita gente.

A 12 de Junho, pelas 21H30, no Pavilhão Multiusos de Viseu, um determinado colégio privado local fez luzida e aprimorada festa de final de ano lectivo. Juntou centenas de meninos, pais e encarregados de educação.

No folheto distribuído lê-se: “Apoio: Câmara Municipal de Viseu“.

A CMV é “amiga” da Educação. Talvez por isso, no meio de centenas de cadeiras brancas pontificassem para aí uma dezena de cadeiras azuis. Reservadas à “senhora Câmara” e seus convidados. Que chegou com pompa e circunstância regida por AH, o senhor-padre-qualquer-coisa e seus acólitos.

Também já sabíamos do manifesto gosto deste autarca por padres, sacristias, igrejas, claustros onde faz conferências de imprensa e palestras, e, em prol da profusão da Fé, por romarias a Fátima e ao Bom Jesus de Braga, com milhares de idosos.

O clero local aprecia muito esta devoção da edilidade e, decerto, na adequada hora saberá responder: Presente!

Aliás, o bom clero lusitano sempre soube fazê-lo desde o tempo recuado de D. Manuel I aos tempos mais próximos do Estado Novo. É uma forma engenhosa e sábia de ajudar o povo. Mas não tergiversemos…

O senhor-padre-qualquer-coisa agradeceu emocionado. O presidente da autarquia agradeceu comovido ao senhor-padre-qualquer-coisa. Agradeceu aos meninos e aos pais dos meninos numa profusão rasgada de “bacalhaus da Noruega”, também dito, “toma lá mais 5″…

Qualquer prelecção sobre colégios e ensino privado versus ensino público é chuva no molhado. Sabemos do carinho deste e do anterior governo por eles, os privados. Sabemos dos imensos milhões de euros que lhes foram à tripa forra distribuídos. Pagos suadamente pelos contribuintes. Com enorme sacrifício. Sabemos também que os pais dos meninos dos colégios pagam ainda a sua mensalidade para terem o direito ao exclusivo. Aliás, um direito inalienável. Mas que deveria ser integralmente pago pelos optantes e não pelo Orçamento de Estado. Mas isso é outra conversa.

Decerto que Almeida Henriques e seus vereadores têm este comportamento “carinhoso” com todas as instituições de Ensino, público e privado do conselho de Viseu. A todas patrocinam de igual modo e em todas se presentificam com igual carinho, ternura, devoção e apoio. Nunca duvidámos. Só assim se pratica a “paixão” pela Educação e a igualdade e “fraternidade” (neste item AH é particularmente empenhado) por todos os munícipes.

Exceptuando o Compadre Zacarias — que é do “contra” — todos devemos saudar com entusiasmo e fervor iniciativas análogas comprovativas da dinâmica das instituições de Ensino, mas e fundamentalmente, devemos regozijar-nos com o caloroso contributo, patrocínio e presença autárquica no seu inequívoco “apadrinhamento” e na disponibilidade para o muito agradecido apoio a todas decerto consignado.

Só esperamos é que, no fim do mês, na hora de pagar as “propinas” a CMV se chegue à frente com a sua participação/contributo.

Ou serão os contribuintes a pagar, os pais a pagar e ainda têm que levar em cima com a intrusão autárquica na sua festa de fim de ano?

A troco de quê, agora que estamos a três meses de eleições?