Em tempos de crise, “malhar” na Ministra da Saúde é o desporto de qualquer sportsman desocupado

Esta táctica, já com longas barbas, consiste em criar manobras de diversão para desviar a atenção das pontuais realidades e fundamentalmente para assacar responsabilidades a terceiros de eventual inépcia.

Texto Paulo Neto Fotografia Direitos Reservados (DR)
  • 22:07 | Sábado, 11 de Abril de 2020
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Por parte de alguns autarcas que não conseguem vislumbrar nada de mais profícuo e importante para fazer em termos de acção concreta, no terreno e no combate à pandemia criada pelo coronavírus, está na moda fazer de Marta Temido o punching ball de momento.

Talvez para aliviar consciências mais inquietas ou atormentadas, ou para meros rounds políticos de combate mediático. Quem sabe?

Desta feita, bem orquestrados e em uníssono, ergueram as vozes num clamor troante acusando a ministra de lhes “estar a sonegar informações sobre o número diário de casos existentes em cada concelho.”

Esta táctica, já com longas barbas, consiste em criar manobras de diversão para desviar a atenção das pontuais realidades e fundamentalmente para assacar responsabilidades a terceiros de eventual inépcia na acção local.

E por mais que a ministra da Saúde repita que não é verdade tal situação, a pandeireta rufa e ecoa por montes e vales, ecrãs de televisão e parangonas de jornais.

E pasme-se, até o presidente da Câmara Municipal de Viseu, que tem estado “afónico” nos últimos tempos e de quem nada de relevante se conhece na luta contar o Covid-19, senão andar a reboque do que fazem nos concelhos vizinhos e das sugestões que alguns “opinion makers” mais caridosos lhe facultam, sem medidas concretas para os seus munícipes, à excepção do aumento do tarifário da água e, naquela que é já conhecida como chapa 5 recorrente do seu agir, vem para as redes sociais, aos saltinhos, divulgar uma missiva que escreveu à ministra, na qual, a certa altura refere:

“Incompreensível no plano da gestão; inaceitável, de um ponto de vista político e institucional. Pergunto: como posso exercer, em conjunto com os meus pares, um bom trabalho se nos é sonegada informação?”

Claro que lhe podíamos dar uma boa centena de “bitaites”…

É bom de ver que a política de auto desresponsabilização fala sempre mais alto para encobrir a indiligência e gerar a demagogia populista.

Ademais até estranhamos este invocar de ignorância, pois o autarca tem na autoridade de saúde pública um dos seus braços direitos mais solidários, e com um simples telefonema teria superado a imensa preocupação que o atormenta tão angustiadamente. Talvez tenha perdido o número do telemóvel…

Mais adiante, na brilhante epístola pública acrescenta:

“O Município de Viseu não tem deixado de apoiar os lares e IPSS do concelho na resposta a esta pandemia, cumprindo o seu papel supletivo de acompanhamento dos Planos de Contingência, de desinfeção e mesmo fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual.”

Este parágrafo é interessante e pressupõe atitudes muito louváveis. Já agora gostávamos de saber, sff:

Quais os lares e IPSS apoiados?

Com quanto?

Como têm acompanhado os Planos de Contingência (inexistentes na maioria das instituições) e qual o material que têm fornecido?

Em que quantidade?

Enquanto não houver resposta a estas questões, essenciais para aferir o quão empenhado tem andado este autarca no combate ao Covid-19 no seu concelho, estamos falados!

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Publicado em Editorial