E se fosses vender a banha da cobra para a feira de Barrelas?

por Paulo Neto | 2015.01.13 - 13:27

Aparece um fabiano, de seu nome Seixas Vale, com uma labieta manhosa e com uma superioridade arrogante, por mão de uma comunicação social com dono, para nos informar, do alto da sua cátedra de serventuários de interesses confessados:

“Tenho duas más notícias a dar aos portugueses” em prol da “evolução da sociedade” (???).

Uma: “A longevidade é cada vez maior”, logo aquilo que nós pensamos que é um direito (as pensões de reforma) em função de uma vida de descontos, só “funciona num sistema de repartição”. Por isso, “A reforma na segurança social é inevitável”, pois “aquilo com que as pessoas contribuíram para a formação da sua pensão não foi suficiente”

Duas: “São os mais jovens que eventualmente têm de contribuir mais. Porque temos um pacto geracional que tem de ser repensado. As pessoas que hoje têm 20, 30 ou 40 anos não podem dizer que não têm nada a ver com isso.”

Daí… a diminuição das pensões e a compra de PPR’s. A eles, claro, os bons samaritanos que surgem para nos salvar a todos e para resolver um intrincado problema que todos os governos “tentaram esconder dos portugueses”.

E pronto, o mote está lançado. Já tínhamos reparado que o ministro da tutela, Mota Soares, andava a esvaziar a casa para a entregar aos privados sem quaisquer ónus, agora com a conversa deste economista do Porto, presidente da APS – Associação Portuguesa de Seguros – as dúvidas dissipam-se: está em marcha mais uma privatização.

Recordamos que a APS, além de Seixas Vale, integra gente da Fidelidade, Mundial, Tranquilidade, Ocidental, Zurich, Açoreana, Axa, Groupama Seguros e Eurovida.

A APS encontra no governo Coelho&Portas os parceiros ideais para o desmembramento total do estado social.

Segundo este vidente das seguradoras, que acaba de descobrir um excelente nicho de negócio e com a cumplicidade governamental que, entretanto terá gasto todos os fundos de pensões existentes, “isto não é um problema financeiro mas de evolução da sociedade.”

Não, Seixas Vale, essa banha da cobra é um problema de regressão da sociedade e de eliminação de direitos sociais há muito alcançados e consignados, manipulado por um governo neo-liberal que tem a função principal de vender todos os sectores do estado social aos privados, para eles poderem sugar os últimos centilitros de sangue aos portugueses.

É preciso ter lata!

 

(foto DR)