E ninguém avisa o Borges?

por Paulo Neto | 2016.09.27 - 10:12

 

 

Todos os portugueses sabem que ser deputado da nação é missão choruda. A não ser assim, eles não se esfarrapariam todos para alcançarem um espinhoso lugarzinho no parlamento.

Exemplo disso é António Borges que e para o efeito ganhou a Federação PS de Viseu num quási golpe palaciano, em prol da “proximidade”, dizia ele.

Depois, lá engendrou a sua bela lista de deputados do distrito e por lá anda, no seu very british Jaguar azul (quase da cor do glorioso Futebol Clube do Porto), rutilante de novo, último modelo (que inveja!), como convém e compete a um comendador daquele peso e dimensão partidária.

Entretanto, arrastam-se as nomeações políticas na sua área de intervenção e, a bem dizer, tirando uma ou duas de 3ª divisão, a nomeação de Fernando Cálix, de Rosa Monteiro, de Marco Almeida, de Catarina Durão… e as que se lhe seguirão, passaram-lhe e passar-lhe-ão completamente ao lado, sendo muito natural até que delas tenha tido conhecimento apenas pela comunicação social.

O meu amigo Zacarias diria deste notável caso e na sua lexicologia bancária: “um mal parado”…

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António Borges, depois de “decapitar” o PS Viseu, de o deslocalizar para dois concelhos do norte do distrito – que determinam os 24 existentes pelo número de militantes com as “quotazinhas” pagas – fechou-se e reservou-se ao seu slogan eleitoral de “maior proximidade e mais coesão”, dois objectivos nos quais falhou estrondosa e redondamente, correndo mesmo o risco, na prossecução desta linha de actuação, de uma magna derrota nas próximas eleições autárquicas, perdendo câmaras como Resende (seu baluarte pessoal), Nelas, S. Pedro do Sul e eventualmente Vila Nova de Paiva, noutras ainda, por desentendimentos, o actual eleito do PS poder vir a concorrer como independente.

Um notabilíssimo case study para desenvolver em tese de mestrado sobre ciência política, sentido de oportunidade e ziguezagues eleitorais…