E agora, Madrid?

por Paulo Neto | 2015.09.28 - 09:43

 

 

A Espanha unificou-se há 656 anos (quase o número da “besta”).

Tem uma população de mais de 47 milhões de habitantes repartida por um território de 504 mil kms2.

É uma democracia constituída como governo parlamentar sob uma monarquia constitucional.

Tem o 9º PIB nominal mais elevado e possui o 23º melhor Índice de Desenvolvimento Humano do mundo.

Desde a Constituição de 1978, a Espanha apresenta-se dividida em 17 Comunidades Autónomas e duas cidades autónomas, Ceuta e Melilla.

Das 17 comunidades autónomas, quatro possuem estatuto de “Nacionalidades Históricas”: Galiza, País Basco, Andaluzia e Catalunha. As restantes são: Aragão, Astúrias, Ilhas Baleares, Cantábria, Castela-La Mancha, Castela e Leão, Estremadura, Comunidade de Madrid, Região de Múria, Comunidade Foral de Navarra, La Rioja e Comunidade Valenciana.

A Catalunha, cuja capital é Barcelona, tem uma área de 32 mil kms2 e uma população de mais de 7 milhões de habitantes… e, ontem foi a votos.

As primeiras sondagens referem que a plataforma independentista Junts pel Sí, do presidente Artur Mas, ganhou as eleições pela autonomia. Porém, sem maioria absoluta, precisando para a obter da aliança com a CUP, partido de extrema-esquerda.

Obtendo entre 63 a 66 deputados, para alcançar a maioria absoluta com 68, carece dos deputados da Candidatura de Unidade Popular, um partido antieuropeísta de esquerda radical.

O partido de Mas, CDC, Convergencia Democratica de Catalunya integra a plataforma Junts pel Sí com a ERC – Esquerda Republicana Catalana. Se houver consenso e união para a maioria absoluta, será iniciado o processo negocial com a Espanha e a UE para a sua independência.

O JN de hoje noticia em sub-título:

“O Ministério das Finanças de Espanha considera que, num relatório interno sobre uma eventual independência da Catalunha, que as telecomunicações, o fornecimento energético, o financiamento e as pensões ficariam seriamente afectadas por uma separação da região.”

Ou seja, instalou-se uma guerra fria, de cenários temerosos e de desagregação que pode ter o rastilho na Catalunha e alastrar-se num ápice à Galiza, País Basco e Andaluzia. E a acontecer este não tão hipotético cenário como isso, que sucederia às outras 13 comunidades autónomas?

E se em Portugal, por académica hipótese, Madeira e Açores se autonomizassem, assim como o Norte, o Centro e o Sul?

Tudo começa a ser possível num mundo muito descontente, desiludido das políticas de centro-direita europeias, dos conflitos económicos e políticos que grassam numa Europa descontrolada e perante novas realidades que se alteram ao minuto…

Vamos esperar para ver.

Entretanto, o general Franco andará às reviravoltas no Vale de los Caídos…