E agora, Coelho?

por Paulo Neto | 2016.01.16 - 20:19

 

Manuela Ferreira Torres foi uma crítica muito dura de algumas acções do anterior governo PàF.

José Pacheco Pereira é um intelectual lúcido e arrasador da maioria da prática política do anterior governo PàF.

Que têm em comum? Serem há décadas sociais-democratas e ex-governantes com responsabilidades partidárias muito grandes.

Que lhes sucedeu? Foram ostracizados e “emprateleirados” sem apelo mas com agravo.

Alberto João Jardim foi uma vida presidente do PSD Madeira e ocupou uma vida o lugar de presidente do governo regional desta ilha. Homem controverso, sem papas na língua, de uma irreverência enorme, foi idolatrado por muitos, odiado por outros tantos e satirizado por uns tantos. Homem do PSD, nunca se lhe conheceu outro pendor partidário senão a social-democracia.

O PSD, ultimamente deixou de apreciar quantos no seu seio vão além de “yes men”. Tem ganho gosto pelo unanimismo e enraizado uns tiques autocráticos absolutamente denotadores do seu frágil estado interno, do desrespeito pelo pensamento individual dos seus políticos partidários e, estruturalmente da incapacidade de impôr, numa liderança sem carisma nem coesão, uma linha coerente de praxis política clarividente.

O Partido Social Democrata necessita de uma nova direcção política nacional se quiser ter futuro.”

Quem o diz? Alberto João Jardim. Quando? Nestes derradeiros dias.

Ainda bem que Marcelo Rebelo de Sousa, profundamente indesejado pelo grupo Passos Coelho, se soube demarcar do neoliberalismo tôlo que nos últimos anos desvirtuou o partido.”

Quem o afirma? Alberto João Jardim. Quando? Nestes últimos dias.

Onde? Na sua página pessoal de uma rede social. Porquê? Pela punição e afastamento dos 3 deputados da Madeira que ousaram votar a venda do Banif, Banco Internacional do Funchal, na defesa dos depósitos dos seus concidadãos. Foram-lhes retirados os cargos e a confiança política. Como na Coreia, mas não de forma tão drástica…

Por isso, ou melhor, também por isso, gente com 42 anos de PPD/PSD afirma que o seu partido com esta gente não tem “futuro”, porque seguiu uma linha de “neoliberalismo tôlo” que “desvirtuou o partido”.

Pois foi… entretanto, pelo curto caminho, tiveram tempo, maioria e vagar para desgraçar Portugal.

Portas, aquela voejante arvéola do CDS/PP, fino que nem um lírio, chorando lágrimas de crocodilo à despedida, desapareceu da circulação para um exercício, decerto, de purificação, musculação e catarse de um decénio.

Passos Coelho nunca teve a argúcia, astúcia, cinismo e malabarismo/inteligência do seu pré-siamês circunstancial. Por isso, em vez de ir por aí, fica por cá…

Até ser corrido pelos seus próprios legionários, agora que acabou o sal para os salários…