Desvendado o mistério da exoneração do director da Polícia Federal brasileira

Começa assim a ser claro um padrão no modus operandi destes governantes que, a breve trecho, será viral para a Democracia que os elegeu mas que por eles é insultada, desvirtuada e não respeitada.

  • 22:42 | Domingo, 26 de Abril de 2020
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A sanha persecutória de Jair Messias Bolsonaro a quem se lhe opõe é um efeito que tem causas.

No caso do director da Polícia Federal brasileira, este caiu subitamente em desgraça por ter começado a investigar Carlos e Flávio, filhos do presidente, por alegado envolvimento numa rede de criação e divulgação de “fake news” e por financiamentos ilícitos com dinheiros públicos.

Como já aqui escrevemos mais que uma vez, as “fake news” têm hoje imensos adeptos e não são só apenas os cidadãos comuns a usá-las nas redes sociais, como também o grande líder da mentira, Donald Trump, que faz diurnamente do Twitter o seu polo irradiador das alucinações que lhe ocorrem durante a noite.

Como escreve Eva Illouz “A mentira é hoje tão comum no espaço público porque deixou de ser punida e, mais preocupante ainda, porque parece dar bons resultados.”

Ademais, a profusa divulgação da “bullshit”, ao cair no goto de grande parte dos cidadãos eleitores, num acriticismo preocupante, dá resultados espantosos. Bolsonaro, Trump, Netanyahu, Kim Jong- un, Erdogan, et all, são desta táctica de difundir “treta, mentira e parvoíce” fiéis praticantes.

E porquê esta utilização recorrente da mentira? Primeiro porque a verdade lhes é profundamente antagónica e aos seus objectivos. Todos sabemos que um político que não consiga fazer quanto prometeu para ser eleito, recorre sempre à ocultação da sua incompetência e indiligência criando artificiosas retóricas.

Segundo porque a mentira serve cabalmente os seus fins perante a acefalia de grande número de eleitores, que gosta de ouvir essas “bullshits” edulcoradas, essas fanfarronices declaradas, essas arrogâncias ilimitadas.

Terceiro, a verdade não interessa ao mentiroso, “interessa-lhe que as suas afirmações tenham sobre quem o ouve um efeito que lhe permita consolidar o seu estatuto ou enfraquecer o inimigo.”

Ignoremos pois as más notícias e se não temos boas notícias há que as inventar. Este é o lema…

Voltando ao tema central deste editorial, pelo menos dois dos filhos de Bolsonaro, o vereador Carlos e o senador Flávio, terão estado na origem da exoneração do director da Polícia Federal, Maurício Valeixo e sua substituição por Alexandre Ramagem, grande amigo de Carlos Bolsonaro. Este está conotado como cabecilha de um grupo disseminador de “fake news”, sendo de há muito o estratega do pai nessa área com a criação de uma estrutura que ficou conhecida em Brasília como “o gabinete do ódio”, composto por vários especialistas que tinham como missão defender Bolsonaro nas redes sociais e denegrir os seus oponentes.

Além de Carlos, seu irmão Flávio está a ser investigado pelo MP do Estado do Rio de Janeiro por alegado financiamento ilegal de milícias do Rio com dinheiros públicos.

Travar estas investigações será o fulcral motivo do afastamento de Valeixo e da nomeação de Ramagem.

Tenhamos presente que também Donald Trump se acolitou de familiares, colocados em lugares chave e dotados de enormes poderes, para assim melhor controlar, através do “clã” sectores mais obscuros da sua acção governativa.

Começa assim a ser claro um padrão no modus operandi destes governantes que, a breve trecho, será viral para a Democracia que os elegeu mas que por eles é insultada, desvirtuada e não respeitada.

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