Costa… cordeiro ou guerreiro? E as cerejas de Borges…

por Paulo Neto | 2015.05.30 - 13:34

 

António Costa vai ao XIV Festival  da Cereja, a Resende. É uma festa que congrega milhares de visitantes. Mas Resende é também o reduto primeiro de António Borges, o presidente da Federação PS Viseu e o maior opositor local a Costa do momento. Que tem como seu lugar-tenente outro denodado opositor, Miguel Ginestal. Que se apreceituam para ser o nº 1 e o nº 2 da lista de candidatos às legislativas pelo distrito. Numa escolha meramente discricionária de Borges que prometeu e ratificou primárias e agora foge delas como o diabo da cruz, alegando que já não haverá tempo para as implementar. Não ignorando que se o fizesse correria o risco de não ser sequer candidato. Ademais, sujeito a perder até qualquer hipótese do seu escrutínio, porque Costa, em derradeira instância e perante tão cega caturrice, poderá chamar a si tal função, desautorizando Borges completamente.

seg borges

A falta de tempo até justifica as claudicações de carácter e é sempre uma óptima desculpa para um presidente da federação aparentemente muito “distraído”, ausente lá para Gaia onde vive e que vem à capital do “seu” distrito, de vez em quando, dizer “olá” e mostrar que existe, até e porque o seu verdadeiro desígnio ao candidatar-se ao lugar foi garantir a vidinha — como hoje bem se constata. A sua e de seus apaniguados.

No fundo, é-se o que nos deixam ser. E os socialistas de Viseu, eternamente divididos, consequência de muitos anteriores anos de política de “eucalipto”, vivem há muito sob o signo e síndroma da mais carente orfandade.

Costa é um bom guerreiro. E um bom guerreiro não se acobarda com tão minguado e pífio desafio. E assim, mesmo consciente de que vai para terreiro hostil, não lhe vira costas e avança com determinação, ciente de que um bom estratega não foge para a rectaguarda, antes avança, com coragem e determinação para a frente da batalha.

Nesse somenos, Borges vai querer ostentar a sua força na ex-paróquia e, ao lado de Costa, enfiando-lhe carinhosamente o braço no braço, dir-lhe-á : “Resende hoje está consigo”. E pensará: “Amanhã se verá…”