Cão, gato e rato…? O governo tem comprador!

por Paulo Neto | 2015.04.28 - 14:28

 

 

Sem desnecessárias polémicas nem bizantinices inócuas e no entendimento de que tudo tem uma transparente explicação/fundamentação, quer-me parecer que e salvo mais douto entendimento, o secretário de Estado da Alimentação e Investigação Agroalimentar, Vieira e Brito, dilucidará em duas ágeis penachadas a rábula da exportação de alguns animais.

 

Com a devida vénia citando o Expresso de 25 de Abril, pág. 6 do caderno Economia, lê-se, como título: “Portugal exporta cão para a Coreia e Filipinas” e como sub-título: “Há outros produtos mais exóticos, como embriões de bovina alentejano para o Brasil ou ratos para a China“. Mais adiante e avulsamente, a jornalista Joana Madeira Pereira escreve: “Cães e gatos passaram a ser exportados para a Coreia do Sul ou as Filipinas, países onde algumas raças deste tipo de animais são servidos como iguarias culinárias.”

E acrescenta: “Na lista de certificações surpreende ainda a presença de animais de companhia como cães, gatos, roedores ou peixes ornamentais.”

Concluindo: “Cães e gatos provenientes de Portugal já podem entrar em países como a Nigéria, Angola, Colômbia, Perú, Jordânia, Líbano ou Ucrânia. Assim como a Coreia do Sul ou Filipinas, enquanto para a China são exportados roedores. O que coloca a questão de saber se estes animais, que são tradicionalmente apreciados na culinária destes países, não estão a ser vendidos para fins alimentares.”

Honni soit qui mal y pense, mas…

 

Este governo tem-se mostrado inexcedível na capacidade imaginativa, nomeadamente em autênticos “filmes de terror” como os protagonizados no fisco por Paulo Núncio… Nos vistos gold cujo realizador é Paulo Portas e agora nesta arrepiante exportação encenada por Vieira e Brito.

De facto, eles vendem tudo a torto e a esmo. Do que tuge e do que não buge. Monumentos, empresas públicas, cidadania e… agora, cães, gatos e ratos. Claro está que para animais de companhia muito apreciados no oriente.

Por isso, caro leitor, não se espante nem admire se um destes dias, num restaurante em Saigão ou em Pequim, encontrar na ementa “Assado de Serra da Estrela”, “Estufado de Serra d’ Aires”, “Fondue de Cão d’Água” ou “Caldeirada de Rafeiros Tugas”. Encomende e experimente, acompanhe com Dão tinto e, ao fim, brinde com “Terras do Demo” (estas…), à saúde dos vendilhões…

E já agora, porque não abrir a porta a coelhos? Ah, eles não apreciam? Claro, até na gastronomia são criteriosos…

 

Nota: É natural que não tenha gostado da imagem que ilustra este editorial. Eu também não…